O sistema prisional chileno

As mais dramáticas heranças da ditadura militar chilena foram o sistema prisional e a ausência de segurança na extracção mineira.

O neoliberalismo não tem em grande conta a vida humana embora não lhe falte devoção religiosa e desdém pelos desgraçados. Desde que se assegure o lucro são irrelevantes as condições e riscos de vida. O Chile tornou-se uma democracia mas o respeito pela vida humana está longe de ter sido recuperado.

O incêndio em que pereceram carbonizados 81 prisioneiros, numa cadeia, emocionou o País e acordou os fantasmas da herança a que ainda não renunciou. Num presídio com capacidade para 1100 presos estavam em condições desumanas 1960. O presidente que viu a sua popularidade subir em flecha com a libertação dos 33 mineiros a quem o Papa mandou uma bênção especial e 33 terços benzidos, admite agora a situação desumana do sistema prisional.

No caso dos mineiros nada se lhe deve da sorte que os resgatou vivos, nem se lhe pode atribuir responsabilidade nas mortes que aconteceram na sequência do incêndio ateado pelos próprios presos. Piñera tem agora de responder, em democracia, ao que o piedoso facínora para quem os mais elementares direitos humanos eram postergados perante as necessidades do lucro.

Em democracia é preciso compatibilizar a economia e os direitos humanos, um desafio que já devia ter começado há muito.

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