O Governo, a austeridade e os toiros bravos


Enquanto a OCDE, o FMI, «The Economist» e outras entidades, advertiram Portugal para os perigos da excessiva austeridade, cujos efeitos dolorosamente sentimos, a dupla Passos Coelho/Gaspar investiram, e investem, quais toiros enraivecidos, na receita que nos empobreceu e nos trouxe ao trágico orçamento para 2013. Custe o que custar.

Compreendo que a impreparação e desadequação às funções levassem Passos Coelho a precipitar-se no abismo que alguém lhe segredou; não posso aceitar que o extremismo de Vítor Gaspar não tivesse a vigilância do académico a preveni-lo da tragédia. Pior, o ministro das Finanças, com licenciatura e doutoramento sem equivalência, teria de se aperceber das malfeitorias em que persiste com os remédios que ultrapassaram o prazo de validade no Chile, remédios que a própria troika já reconheceu como impróprios.

O PR, quando se expressava fora do Palácio de Belém e do Faceboock, insinuava que a sua formação económica seria útil ao País e que a magistratura de influência garantia aos portugueses a vigilância a que a Constituição jurada o obrigava. É o que se vê.

A boa notícia de hoje refere-se à dilatação dos prazos de pagamento e à baixa de juros da Grécia. Portugal vai certamente beneficiar de iguais condições duramente negociadas por outros.

O Governo português lembra-me o chefe pusilânime que advertia os trabalhadores para não aderirem às greves porque, se resultassem, teriam os benefícios concedidos aos que lutaram e, se não resultassem, ficavam bem vistos perante o patrão. Na empresa onde trabalhei foram sempre minoritários os crápulas.

A Grécia lutou e, para já, venceu. A cobardia não é uma arte, é uma idiossincrasia. O Governo português, tal como os toiros bravos, vê mal e investe errando o alvo.

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