O Governo, a propaganda e o abismo


Enquanto o Governo se mantém até desmantelar o Estado e fazer os últimos negócios a preço de saldo; enquanto os boys recebem subsídios de férias e de Natal, com desculpas de mau pagador; enquanto a inexperiência e incompetência do atual Governo se exerce, a desilusão, a fome e o desespero conduzem os portugueses para a revolta e o abismo.

O Presidente da República, em estado catalético, permite os ataques à Constituição da República, ao Tribunal Constitucional e aos bolsos dos portugueses, por cumplicidade ou abulia.

Os presidentes das maiores empresas portuguesas que deslocaram as sedes sociais para a Holanda falam como se fossem Governo e este procede como se fosse seu empregado. E é. António Borges é um ministro clandestino que procede ao desmantelamento das empresas públicas, junta outro emprego num dos merceeiros já referidos, e fala como se a Pátria fosse o bando que as vicissitudes eleitorais colocaram no poder.

Cada dia que passa é mais um passo, sem recuo, na desagregação do país cujas causas da decadência foram apontadas nas Conferências do Casino, por Antero de Quental.

As regalias da Igreja católica, as suas IPSSs, as numerosas fundações e isenções fiscais permanecem, enquanto os proprietários de casa própria veem transformado em renda o IMI, que atinge valores obscenos, com que os municípios pagam desperdícios e favores.

O PSD impôs ao País o pior Governo que podia com o pior primeiro-ministro de que se recordou. O PS, em vez de defender a redução de municípios e dos gabinetes faraónicos dos edis, nem sequer aceita a redução do número de freguesias, arriscando a falência do país que suporta a máquina ineficiente na gestão do território, mas que é altamente ativa na propaganda eleitoral e na angariação de fundos partidários.

Não falo do CDS que a internacional conservadora e democrata-cristã expulsou do seu seio deficiente prática democrática, razão que levou ao afastamento do seu fundador, Freitas do Amaral, e que aí voltou por mediação do PSD que carecia da má companhia antes de se ter transformado em pior.

O número desmedido de deputados, “governantes”, municípios e freguesias nas Regiões Autónomas não acrescentam eficácia à administração dos arquipélagos e apenas servem para a multiplicação de lugares parasitários na administração pública. A privatização da Galp, EDP, Águas de Portugal, ANA e outras empresas, imprescindíveis à autonomia  que resta ao Estado português, serviram para perpetuar a captura do Estado por privados e a ânsia de desmantelar o que resta do estado social.

As famosas EPs, algumas com mais administradores do que empregados, escondendo o défice das autarquias e do Governo, mantêm-se. Cortam-se subsídios a Fundações, para fingir rigor, mas o problema das que existem sem utilidade pública é a fuga ao fisco que o estatuto consente e não os subsídios com cuja redução o Governo finge austeridade.

Perdido na incompetência e na iniquidade com que trata os portugueses, o Governo lançou uma campanha internacional e, sobretudo, autóctone para prolongar o estado terminal e aumentar o sofrimento do povo que governa.

Ponte Europa / Sorumbático

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