A vitória de Manuela Ferreira Leite


Pode dizer-se que Cavaco ganhou mas ficou em minoria, no PSD. Entre Santana Lopes, com provas dadas de absoluta incompetência para governar, e Passos Coelho, sem uma única prova, só não ganhou um deles porque os populistas têm medo do que julgam que o PR pensa.

A boa notícia é, pois, a derrota de Santa Lopes e Passos Coelho. A má notícia a vitória de Manuela Ferreira Leite. É uma mulher séria, com notável sentido de serviço público e apta rodear-se de gente competente mas não tem, em relação a Sócrates, qualquer mais-valia que a recomende.

Ora, a ruína das condições económicas e sociais nos EUA, Europa e, naturalmente, em Portugal, torna movediço o terreno eleitoral e ninguém pode prever o nível de crispação popular e de desespero que atingirá as classes mais pobres. Nenhum partido está em condições de capitalizar o descontentamento e, ao mesmo tempo, ter a solução. MFL ensaiou um discurso de vitória à esquerda do PS mas não tem espaço para o manter.

Para já, foi bom ver ficar pelo caminho, a rangerem os dentes e a ruminarem vingança, numerosos caciques paroquiais acompanhados de Alberto João Jardim, Fernando Ruas, Luís Filipe Meneses e Santana Lopes, com Paulo Portas à espera de entrar no terreno do PSD e Ângelo Correia a regressar aos negócios a tempo inteiro.

A dificuldade em pôr de acordo Passos Coelho com Manuela Ferreira Leite não existe pois este, como não tinha ideias, nada sacrifica e apenas espera um lugar no Parlamento para que o futuro lhe possa satisfazer as ambições. O que perdeu Santana Lopes foi ter currículo e o que salvou Passos Coelho foi não ter.

A vitória de MFL não traz rios de mel e a paz celestial ao PSD. A guerrilha começa amanhã. Os ultraliberais podem ser tentados a medir forças e a arriscar um novo partido. O Menino Guerreiro não vai andar por aí, já está no terreno disposto a não dar tréguas a quem o derrotou.

Só Luís Filipe Meneses perdeu em toda a linha, sem honra nem glória, sem compostura, a chamar «canalhas» a companheiros do PSD, partido sem o qual a política seria muito mais aborrecida.

Comentários

eng.rui.silva disse…
Ou seja, pelo seu raciocinio, ninguém se devia candidatar, pois só no PS é que existem os inteligentes!

Sabe como se chamam as pessoas que assim pensam não sabe???
Parece-me que o comentário anterior nada tem a ver com o post que critica. Ninguém chamou burros aos candidatos a líderes do PSD; simplesmente, nenhum apresentou qualquer ideia ou programa credível para resolver a crise em que Portugal se encontra diferente da política do actual Governo. Parece pois que não há outras soluções melhores do que as que estão a ser aplicadas. Aliás, de todos os candidatos, MFL é a mais parecida com Sócrates, o que mais leva a crer que não existem alternativas.
e-pá! disse…
Com a eleição de MFL eu não desvalorizava tanto a vitória de Cavaco.
É necessário ter presente que o PR cumpre o seu 1º. mandato.
A repetir-se a tradição, um segundo mandato será substancialmente diferente.
Se MFL "resistir" nas próximas legislativas, acaba-se, em meu entender, a coabitação que tem estabilizado o País até aqui.
Se Sócrates não conseguir a maioria absoluta, cenário que não me parece inverosímil, facto que não é exclusivamente tributário da capacidade de MFL, mas antes uma reacção da “classe média” intensamente penalizada durante o mandato que decorre, a estabilidade será mandada “às urtigas” e começará a guerrilha institucional.

Uma recente deriva para a Esquerda do PS, parece-me demasiado tardia e o aparelho partidário parece-me pouco receptivo. A não ser que um agravamento da situação social, crie dificuldades governativas que não admitam outro caminho. Mas será sempre, e como tal aparecerá aos eleitores, como uma solução de recurso. Pouco verídica. Ninguém apostará nela com receio da retoma de soluções governativas “pragmáticas”, eufemismo de uma política neo-liberal. Portanto, a pesadinha com o rabo na boca.

Um governo PS sem maioria absoluta, não terá grande margem de manobra perante Cavaco, que será tentado a governar. Ou através de Sócrates, com os problemas que todos advínhamos, ou através de MFL, com a realização de eleições intercalares.
De qualquer modo, existem soluções imprevistas. A primeira, é o comportamento de PSL que é incapaz de ficar acomodado. Não aceita ser derrotado. Poderá minar a unidade do PSD, frustrando os planos pré-concebidos. A outra será uma estrondosa derrota de MFL e, nesse caso, o PS tem obrigação de criar aos portugueses uma alternativa válida a Cavaco Silva, para o próximo mandato na Presidência da República.

Perante estes cenários, o tempo, urge. Acabaram-se os dias tranquilos para a governação PS e os estrategas partidários terão pouco tempo para dormir.
As eleições no PSD não são assim tão inócuas. MFM, não “virou uma página”, abriu com a expressão da sua votação – tem mais militantes contra do que a favor - no PSD mas abriu um “fosso”, onde qualquer um pode cair. Em primeiro lugar a própria MFL, depois o PS se não cuidar do futuro – do seu e dos portugueses como Mário Soares e Manuel Alegre têm alertado.
Em política não há almoços grátis. Nos “rearranjos” partidários não há favas contadas…
Senhor Engenheiro Rui Silva:

O meu raciocínio e o seu são igualmente legítimos.

Naturalmente que o Ponte Europa reflecte as posições dos seus «contribuidores».

Creio que é assim em todos os órgãos de comunicação com uma diferença, nem todos aceitam a crítica e o contraditório.
Vítor Ramalho disse…
Já tínhamos no nosso pais uma maioria um presidente. Agora temos uma maioria um presidente e quase toda a oposição. Estão criadas as condições para mais fome, menos saúde e educação, mais uns quantos a encherem os bolsos à custa da carneirada toda que vota e apoia esta gentinha.
Não será já tempo de dizer basta?

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