Paradoxos 2009

Nunca foram tão imprevisíveis os resultados das eleições legislativas, relativamente aos dois maiores partidos, e tão grande a diferença de preparação dos seus líderes.

Jamais um Presidente da República se envolveu de forma tão ostensiva no apoio a um dos partidos (ou no ataque ao rival) e não houve outro período em que a neutralidade de Belém fosse mais necessária para minorar os problemas que se avizinham.

Quando a instabilidade governamental que se adivinha precisar de um árbitro encontrará um presidente comprometido e sem margem de manobra.

Numa época em que circulam as pessoas e bens pelo espaço europeu, em que a moeda é a mesma e as economias estão mais integradas, a líder do PSD regressa ao século XIV e julga-se a padeira de Aljubarrota em luta contra os castelhanos.

A tirada xenófoba de MFL transforma-a em «padeira de Belém» mais habilitada a fazer pastéis para o palácio do que a cozinhar a governação de Portugal em S. Bento.

Se os deuses ensandecidos condenassem o País à dupla Cavaco/MFL, cento e quarenta anos de direita musculada nos ameaçariam.

Comentários

José Teles disse…
O problema não é o Presidente ter-se envolvido de forma "ostensiva" nesta campanha, oxalá que o fosse, que era arrastado na queda, que apesar de tudo vem aí, haja Deus, da "outra senhora". O problema é que faz de forma encapotada, capciosa, a dizer que não foi ele, a atirar a pedra e a esconder a mão. Seja qual for o resultado no 27 de Setembro, nada se decide! A guerrilha continua.
e-pá! disse…
CE:

Nada de paradoxal, mas de diferente.

Os partidos políticos terão necessidade de fazer coligações, alianças, acordos de incidência governamental, etc., como, de resto, se verifica em quase toda a Europa.
Os políticos terão de negociar, dialogar, expôr-se.
As decisões obtidas - porque os partidos não abdicarão do exercício do Poder - terão múltipas centros de decisão e, portanto, serão politicamente mais pluralistas, ideologicamente mais diversificadas.
Enfim, a situação que se desenha, vista como "normal", pode enriquecer a nossa democracia.

O problema não é a existência de um paradoxo, enquanto interpretado como uma decisão popular injusta, precipitada ou inaceitável. Paradoxal é difundir a ideia que os portugueses estão essencialmente orientados para exercerem "votos de punição ou de castigo". Os protugueses sabem que o ódio e a "raiva" não são bons conselheiros... Não constroem nada. Facilitam, quando muito, efémeras vinganças, sem significado, sem futuro.
Reduzir a participação popular à maniqueísta situação: "se me tocares nos meus interesses, nas próximas eleições levas!".

As grandes questões políticas, que devem preocupar os portugueses, serão as "jogadas" antecipadas e preparadas para, o mais breve possível, chamarem novamente os portugueses às urnas a fim de conseguirem o must dos objectivos partidários - as "maiorias absolutas"...

Bem, os cidadãos quando consultados, decidem. E, nas Legislativas de 2009, tudo parece indicar que decidirão que o próximo governo será minoritário.

Quem tentar boicotar a governação - indispensável para a saída de actual período de recesssão - pagará por isso.
Sejam os partidos, seja o PR.

Estamos noutro estadio de vivência democrática. Trinta anos não é assim tão pouco tempo.
Grande número de eleitores decide, politicamente, pelas medidas sociais que adopta como estrategicas e, económicamente, por quem acha capacitado para atingir um o desenvolvimento e, tem uma polítca de redistribuição da riqueza.
As políticas do chicote (mascaradas de "rigor"), das restrições (denominadas "sacrifícios"), as "contas de mercearia" (apresntadas como "prudentes", não dão tantos votos quanto os seus promotores desejariam.
Nós estamos atrasados em relação à Europa, temos um rendimento per capita baixo, um baixo nível de vida, estamos individados (como a maioria dos Países europeus) mas, não gostamos, de que andem permanentemente a vociferar que a nossa finalidade é a pobreza e vamos passar a viver de tanga.

Também. não vivemos os tempos de 85, em que a incapacidade de diálogo, a teimosia, a inexperiência, o confronto institucional - entre o governo, as oposições e o PR - premiou Cavaco com a maioria absoluta.
A História não se repete. Ou, na eventualidade de se repetir ...(já conhecemos o que sucede).
Daí, construiram o cavaquistão do betão e do alcatrão, baseado no investimento público, com o dinheiro fresco da então CEE que, mais uma vez agora abjuram...
Até parece que as obras públicas, principalmente, as de grande vulto, devem ficar reservadas para quando a Direita estiver no Poder!...

Na verdade, embora uma regular participação cívica seja, ainda, insuficiente, temos sentido crítico, de justiça, de oprtunidade e de dignidade.

Os portugueses "zangam-se" com facilidade, mas não são, nem néscios, nem atoleimados, nem amnésicos...
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