O Kosovo e a Europa


A última tragédia balcânica começou com o reconhecimento da Croácia pelo Vaticano e Alemanha, esta dirigida por um político de grande dimensão, o chanceler Helmut Kohl, que terá cometido aí um grande erro histórico que arrastou a Europa.

Sabe-se o que foi depois o desmembramento da Jugoslávia até terminar na guerrilha dos nacionalistas do Kosovo, verdadeiros bandos terroristas que assassinavam sérvios, e na repressão sangrenta e genocida dos sérvios sobre as populações não sérvias do Kosovo até à intervenção da NATO e ao julgamento de Slobodan Milošević,

Não vale a pena discorrer sobre o que podia ter sido e o que não deveria ter acontecido. Os factos são o que são e, neste momento, a secessão do Kosovo é irreversível. Os ódios são violentos e o sangue ainda está quente mas é inaceitável que as religiões e as etnias separem os povos e os tornem incompatíveis e irreconciliáveis.

A Sérvia tem no Kosovo o seu berço histórico, tinha ali numerosos conventos (cristãos ortodoxos) e os sérvios sentem a secessão como uma alienação do território nacional, com a cumplicidade da União Europeia e dos EUA. Definitivamente a Sérvia tem sido maltratada pela Europa a que ligou a sua história e cuja civilização ajudou a moldar.

O que vai acontecer não é a independência do Kosovo, é a vitória da Grande Albânia, cujos demónios ressuscitam, a humilhação da Sérvia e a decepção da Grécia. Muitos dos albaneses do Kosovo não passam de sérvios islamizados e o território, longe de constituir um espaço de paz e liberdade, começa por ser uma fonte de ressentimentos regionais e acabará num quebra-cabeças a 27. A situação é injusta mas irreversível.

Penso eu…

Comentários

e-pá! disse…
CE:

Eis um problema europeu que a UE passa por ele a correr como cão por vinha vindimada.
Carlos Esperança disse…
e-pá:

Mas a vinha vindimada não deixa o cão saltar fora!

Como se verá.
ECD disse…
Ter boa memória é uma coisa muito boa. Provavelmente já pouca gente se lembra da"corrida" entre a Alemanha e o Vaticano para ver quem primeiro reconhecia os novos sstados resultantes da "implosão" da Jugoslávia. Muito menos gente ainda se lembra das motivações: do lado da Alemanha o revanchismo em relação à derrota da Wermatch pelos partisans de Tito, do lado do Vaticano, o desejo de voltarem a controlar os uniatas croatas!
Anónimo disse…
A idiotice pegada sempre vende...

... o desmebrar da Jugoslávia começa com a declaração de indepêndencia da Eslovénia, com a recusa da Croácia deixar passar o exército de Belgrado para reprimir a indepêndencia, a partir daí...

... além de que com a queda da URSS não foi só a Jugoslávia a ser desmembrada , mas enfim...

... o ódio ao Vaticano justifica qq estorieta de encantar.

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