Ramalho Eanes referiu como trágica a descolonização em que «milhares de pessoas foram obrigadas a partir para um país que não era o seu». Tem razão o ex-PR cujo papel importante na democracia e o silêncio o agigantou depois da infeliz aventura por interposta esposa na criação do PRD e da adesão à Opus Dei, sempre por intermédio da devota e reacionaríssima consorte, que devolveu o agnóstico ao redil da Igreja. Eanes distinguiu-se no 25 de novembro, como Dinis de Almeida no 11 de março, ambos em obediência à cadeia de comando: Costa Gomes/Conselho da Revolução . Foi sob as ordens de Costa Gomes e de Vasco Lourenço, então governador militar de Lisboa, que, nesse dia, comandou no terreno as tropas da RML. Mereceu, por isso, ser candidato a PR indigitado pelo grupo dos 9 e apoiado pelo PS que, bem ou mal, foi o partido que promoveu a manifestação da Fonte Luminosa, atrás da qual se esconderam o PSD e o CDS. Foi nele que votei contra o patibular candidato do PSD/CDS, o general Soares...
Comentários
A sede de sangue e de morte só pode levar ao desespero e, consequentemente, ao incremento da violência.
Esse é, para além das lamentáveis mortes de homens e mulheres que trabalhavam numa organização internacional com fins humanitários, o "outro" doloroso problema que estas insuportáveis acções acabam por levantar.
Isto é, ataques terroristas deste teor induzem a opinião pública a solicitar respostas, também, violentas e, rapidamente, deparamo-nos com a inevitabilidade de entramos num círculo vicioso em que o Homem será, sempre, a primeira e a mais importante vítima.
A situação no Magreb complica-se e particulares circunstâncias políticas regionais associadas a fanatismos religiosos de grupos islâmicos, tendem a desestabilizar uma região que, paulatinamente, vinha saindo do sub-desenvolvimento e, simultaneamente, criando uma sociedade mais liberta das amarras religiosas que, há largos anos, a mantêm sufocada.
Portanto, condenar os atentados mas, também, fortalecer as forças que estão empenhadas em auxiliar estes povos a libertarem-se.
Se não, o próximo passo será a escalada da violência. Ou, melhor dizendo, a catástrofe humanitária.