Paris - Maio de 68

Quarenta anos depois, os líderes da revolta converteram-se aos encantos da burguesia mas o autoritarismo e a repressão sobre a mulher sofreram o mais forte abalo do século XX.

Da utopia e dos excessos resultou uma sociedade mais tolerante, mais respeitadora dos direitos individuais e mais justa quanto à igualdade entre homens e mulheres.

Nicolas Sarkozy, o pouco recomendável presidente francês, exigiu publicamente a «aniquilação da memória de Maio de 68». Estranho azedume para quem dificilmente seria presidente da França, após dois divórcios, sem a revolução dos costumes operada em Maio de 68.

Sem esse movimento, que pertence ao património da França e influenciou o mundo, o Sr. Sarcozy jamais poderia ter Carla Bruni como primeira-dama.

De Caroline de Bendern (foto em cima) até Carla Bruni como primeira-dama (foto em baixo) quatro décadas de história nos contemplam. (Paráfrase de Napoleão, dirigindo-se aos soldados, à vista das pirâmides do Egipto).

Comentários

e-pá! disse…
40 ANOS...

Há um ano Sarkozy que, provavelmnte, ainda não conhecia Bruni, anunciava:
"é preciso enterrar Maio de 68!".

Em contrapartida, defendia :
"trazer a nação de volta à política através da moral, da autoridade, do respeito e do trabalho".

Em Portugal, os nossos pensadores, alguns dos quais estiveram em França e viveram os acontecimentos de 68, pronunciam-se discretamente.

Sendo um levantamento popular datado, podemos dizer que geracional, em ambiente mais confinado, predominantemente estudantil, ultrapassou França e exportou a imagem da revolta em pelno século XX.

Deu origem a novas subjectividades políticas e a emergência de novas objectividades do governar.
Trouxe à ribalta a análise e a dimensão de luta de classes que atravessa o período, pretende esbater esse conceito e entrar num novo ciclo do Mundo que o fim ainda não anunciado da Guerra Fria", germinava no seu ventre das mudanças, que compreendemos - sempre - mais tarde.
Maio de 68, hoje, deve ser discutido à luz dos conflitos contemporâneos, isto é, à luz da globalização.

Todos dizemos que nada (no séc. XX) foi como antes de Maio de 68".
Parece um chavão, mas é uma asserção com alguma vivacidade, e muita veracidade, passados tantos anos.
As instituições políticas francesas, e lateralmente, europeias, não caíram mas tremeram, e incipiente Europa foi obrigada a repensar o seu próprio futuro.
O clima dominante era de mudança. Não só para França, mas contanimador da Europa, dita, Ocidental.
Socialmente, o clima torna-se mais permissivo, mais aberto, mais distendido, mais fácil.
A Direta mantêm ou recupera o Poder à custa de uma burguesia assustada e intimidada, mas as novas ideias inquinam a autoridade tradicional.
Cresce a contestação e a participação na vida social e política por parte dos cientistas e dos intelectuais. Aparecem e são divulgados inovações na área das ciências sociais e humanas.
A voz das minorias faz-se ouvir, embora ainda de maneira ténue. Há uma crescente emancipação das mulheres. Há uma nova compreensão da sexualidade com a condenação da homofobia.
O próprio clero refreia e atenua a sua intervenção social, fechando-se em retiros espirituais com os remanescentes ultras.

Crescem outros e novos valores como: a generosidade , o humanismo, a ecologia, a cidaddania, a tolerância.

Quando da recente ratificação do "Tratado de Lisboa" se voltou a falar da inspiração cristã da Europa, melhor faríamos se inscrevessemos, nesse contexto - nomeadamente no espaço sócio-cultural - a ineludível deriva de Maio de 68, nesta Europa dos 27, que foi possível (e dificil)congregar no século XXI, apesar de grande parte dos Paises terem governos conservadores.

Esta é a herança de Maio de 68, 40 anos depois.
Nada de transcendente. Só a "grande viragem"!
Anónimo disse…
Perfeitamente de acordo com e-pá!
Na mouche!
O Maio 68 queria mudar o mundo. E de certa maneira foi conseguindo. Foi um enorme safanão que se estendeu por esse mundo fora e que mudou tudo. Até aprendemos a viver de uma maneira diferente. Até se descobriu a praia debaixo da calçada.
J. Casimiro
Anónimo disse…
O Sarkozy é um manganão do caraças.Qual moral qual quê,isso é linguagem de libertino de sacristia.A carla Bruni é mesmo boazona,fffffffffffffffffff
Anónimo disse…
Anónimo anterior:

Não diga isso da Carla Bruni neste blog, pois pode ser excluido!

Se dissesse bem de um homem qualquer, aí tudo bem, este blog e o seu Esperancinha aceitava e até apoiava. Agora um homem e dizer bem de uma mulher ????? PORRA, que é isso !!!!???
Anónimo disse…
Anónimo homofóbico perturbado:

No Ponte Europa não se exclui ninguém, nem os medíocres, provocadores e dementes como o seu comentário comprova.
Anónimo disse…
Anónimo das 5,49 H
Deve arrastar consigo qualquer sentimento de culpa sobre o seu passado. Os psiquiatras chamam-lhe "transferência compulsiva da culpa" para iludir a realidade. Tenha cuidado, porque a sua mulher pode descobrir.

Mensagens populares deste blogue

O Sr. Duarte Pio e o opúsculo

Coimbra - Igreja de Santa Cruz, 11-04-2017