Associação Ateísta Portuguesa - AAP
O anúncio da criação da AAP levantou já um coro de protestos e insultos vindos dos meios mais reaccionários e trogloditas, de amigos do clero e da hóstia, de prosélitos habituados a viajar de joelhos e a andar de rastos.Não se assustem os fundamentalistas que não se contentam em salvar a alma própria e exigem dos outros a salvação da sua. Os ateus respeitam a Declaração Universal dos Direitos do Homem. Não lapidam mulheres, não decapitam hereges, não chicoteiam nem se imolam. Os ateus respeitam os crentes de todas as religiões e reservam-se o direito de combater a mentira, a violência e a discriminação entre homens e mulheres. Jamais combaterão os crentes. Apenas a intolerância e a mentira.
Não nos peçam que levemos a sério um papa que fabrica milagres para cadáveres em adiantado estado de decomposição. Não queiram que silenciemos ataques religiosos à liberdade e à democracia, que acreditemos em exorcismos, que confiemos no valor das indulgências ou na diferença da água benta da outra.
Não há fé que resista à reflexão serena e à liberdade e não há descrença que o medo e a tortura não transformem em devoção. É contra o medo e a violência que se organizam os ateus, certos de que as religiões estiolam em liberdade e se abatem mais facilmente pelo ridículo do que pela força.
A Associação Ateísta Portuguesa já conta com muitas dezenas de cidadãos que querem ser sócios fundadores e a cada hora chegam novos aderentes. Na AAP ninguém alguma vez perseguirá quem quer que seja. Não se pode dizer o mesmo das religiões.
Comentários
O seu ateismo revela uma vivencia pobre. O senhor é um homem de classe média sem objectivos.
Vive uma vidinha enfadonha, sem grandes sobressaltos nem ambições.
A unica coisa que pede é que não o chateiem. Vive para o estado, e do estado.
Bastante interessante:
http://www.youtube.com/watch?v=8qQhPBB-GHA
É tão estranho como pertencer a uma que acredita. Não será exactamente a mesma coisa?
Porquê?
"O seu ateismo revela uma vivencia pobre."
Os crentes têm uma vivência rica? Em quê?
" O senhor é um homem de classe média sem objectivos.
Vive uma vidinha enfadonha, sem grandes sobressaltos nem ambições."
Já os crentes têm uma vida tumultuosa. Vão à missa, assistem a milagres, ambicionam ir para o céu onde se sentarão à direita de Deus-Pai todo poderoso, criador do céu e da terra.
"A unica coisa que pede é que não o chateiem. Vive para o estado, e do estado.
Sáb Mai 03, 02:08:00 AM"
Coisa que ao anónimo não acontece. Não paga impostos, mandou construir todas as estradas que utiliza, escolas, hospitais, etc.
Dê-se um dia ao trabalho de ver tudo aquilo de que se serve e que pertence ao estado, isto é, a todos nós.
É salutar a divergência de ideias e a "crença" em ideais diferentes. Até aí tudo bem. E como diz neste texto basta respeitarmo-nos mutuamente (crentes e não crentes). Eu posso considerar que sou mais feliz acreditando, os ateus pelo que dizem, dispensam o transcendente para se realizarem. Grave seria impormo-nos uns aos outros. Mas continuo a combater pelas ideias os ideais ateus como combato os da direita, sendo eu de esquerda. Com respeito e uma linguagem sensata, pois do outro lado está um ser humano.
Esta frase: "Na AAP ninguém alguma vez perseguirá quem quer que seja. Não se pode dizer o mesmo das religiões." tem tanto de verdadeiro para certas religiões ou certos momentos históricos do seu percurso como para certos ateus e a linguagem violenta que usam. Usar linguagem que agride e faz, por vezes, dos crentes uns "tolinhos" ou dementes" é também perseguição.
Tenho dificuldade - já não é a primeira vez que o afirmo - em discutir com um crente tolerante, como é o seu caso.
Já me sinto mais à vontade com o papa Ratzinger, com o episcopado espanhol, o arcebispo de Braga, os clérigos islâmicos e os judeus com trancinhas à Dama das Camélias.
Uma coisa é certa, não pertencerei a uma associação capaz de lançar uma fatwa ou uma excomunhão.
É que há certos assuntos em que você é muito prolixo, principalmente com as analogias…
Julia Pinheiro, no seu programa “Tardes de Júlia” do dia 24 de Abril 2008, convidou dois indivíduos assumidos como ateus, daqueles que se sentem muito incomodados por haver milhões de pessoas no Mundo que acreditam em Deus ou numa Inteligência Suprema que criou todas as coisas no Universo. Achavam eles, os dois ateus, que todos os crentes (como eu) são ignorantes ou estão mal informados, precisando talvez de umas lições ateistas para ficarmos mais esclarecidos ou melhor orientados, segundo os seus próprios pontos de vista, claro.
E ali estavam tentando mostrar sua pretensa ‘sabedoria’ discutindo com um padre católico que também foi convidado para estar presente e se esforçava por mostrar aos dois ateus que não tinham razão para estarem colocando em causa todos os valores da Igreja ou da sua Religião. Foi uma discussão estéril, no meu entender, em que a entrevistadora foi talvez a única pessoa mais sensata e coerente que mantinha a calma e um bom discernimento quando dava por vezes sua própria opinião sobre esta questão.
Por fim, um dos entrevistados chegou mesmo a citar uma frase de Albert Einstein que dizia “Deus não joga dados com o Mundo”, como se pretendesse dizer que o grande físico e matemático também era ateu como eles, mas na verdade omitiu o resto da frase onde Einstein dizia "Deus é subtil mas não é maldoso"... De resto, ele até se considerava um religioso e aceitava a ideía de um Deus supra humano ou uma Mente Suprema que tudo organizou e mantem em perfeito equilibrio no Universo. Um cientista não tem de ver as coisas do mesmo modo como as vêm as pessoas limitadas às suas crenças e convicções ligadas às Religiões.
No entanto, Einstein chegou mesmo a dizer que: "A ciência sem religião, é manca. A religião sem ciência, é cega”... Nisto estou completamente de acordo com ele, pois creio que um dia a Ciência e a Religião se unirão uma à outra e darão à luz um filho de Sabedoria.
Doutro modo, concordo também com as palavras de Issac Newton, o grande físico e matemático inglês (autor da obra Philosophiae Naturalis Principia Mathematica - publicada em 1687) que tem uma pequena reflexão muito interessante sobre a vida do Universo. E então se exprime assim:
“Esta noite deixei me absorver pela meditação sobre a natureza celeste.
Eu admirava o número, a disposição, o curso daqueles globos infinitos.
Entretanto, eu admirava ainda mais a Inteligência Infinita que preside este
vasto mecanismo e dizia a mim mesmo: É preciso que sejamos bem cegos
para não ficarmos extasiados com tal espectáculo, tolos e ingênuos para
não reconhecermos seu Autor e loucos para não adorá-Lo.“
Issac Newton
Não sei o que é que pensariam aqueles dois ‘ateus’ no programa “Tardes da Júlia”, a respeito deste pensamento de Newton ou de outros cientistas que divergem dos seus pontos de vista, mas pobres foram seus argumentos para tentar explicar o Inexplicável, limitando-se apenas a justificar sua grande descrença em Deus pelo facto de haver na Bíblia inúmeras contradições e tantos males neste Mundo onde o homem é o único e verdadeiro culpado por viver de costas voltadas para o Céu e criar seu próprio inferno aqui na Terra.
Acham então os ateus que a solução talvez é deixarmos todos de ter fé ou de acreditar em Deus e pedir-Lhe contas por tudo o que está errado, acusando-o de ser o grande culpado...
Enfim, “cada cabeça, cada sentença” e creio que muitos seres humanos como aqueles dois ‘ateus’ ainda se encontram num estado de ‘hibernação’ do qual só despertam um dia quando a luz do Sol lhes iluminar a mente e aquecer a alma ou o próprio coração. Aí não mais questionarão a existência de Deus e decerto agradecerão a vida e o despertar da consciência de cada novo dia, vivendo em paz e harmonia, buscando Amor e Sabedoria.
Talvez fosse este tipo de diálogo que o padre Ferreira das Neves devesse ter naquela discussão em vez contraditar de um modo que não melhorou a situação. De resto, foi mesmo Jesus quem aconselhou a não pleitear com os que nada querem ouvir a não ser suas próprias palavras quando estão a falar.
Penso, por fim, que tudo tem um tempo para acontecer, até para o dormir e para o acordar...
Fica aqui esta dissertação,
Pausa para reflexão
Rui Palmela