Notas soltas - Novembro/2008
Banco Português de Negócios – A nacionalização do banco cuja gestão ruinosa e o mais puro banditismo levaram à insolvência não é apenas um caso de polícia, mostra a ruína moral do país, protagonizada por vários e destacados antigos governantes.
Banco de Portugal – Foi acusado de ter actuado tarde contra as administrações do BCP e do BPN, mas não teriam faltado queixas de perseguição, respectivamente ao Opus Dei e ao PSD, se, acaso, tivesse intervindo mais cedo e sem provas.
EUA – A eleição de Obama não mudou a América, mas mudou o mundo, na forma de olhar a América, um valor inestimável para a civilização comum, a democracia em que nos revemos e o combate aos perigos que nos cercam.
George W. Bush – Vai deixar de rezar com a senhora Condoleezza Rice na Sala Oval e dedicar-se aos negócios com Cheney e Rumsfeld. Se não fosse americano, talvez o julgasse o T.P.I. pela invasão do Iraque e a tortura em Guantánamo.
Sarah Palin – A ex-vice de McCain é uma caçadora de focas ignorante e beata. Ela e Bush vacinaram a América contra a influência dos fundamentalistas evangélicos, mas as vacinas têm prazo de validade.
Iraque – Os cúmplices de Bush na criminosa invasão não devem sobreviver em lugares de relevo. É preciso desinfectar a Europa, à semelhança do que o eleitorado já fez nos EUA.
Guantánamo – A vitória de Obama representa o triunfo dos direitos humanos sobre a tortura e a iniquidade. O presidente que os europeus desejaram será sempre americano, mas não nos envergonhará, porque é inteligente, culto e humanista.
Madeira – A suspensão do solitário e excêntrico deputado do PND pela bancada do PSD-M foi um acto tão grave que alterou o regular funcionamento das instituições e suspendeu a democracia na região onde pontifica um ex-salazarista.
Presidente da República – O comportamento face à suspensão e obstrução do deputado, por seguranças privados, e ao fecho da Assembleia Regional da Madeira, é a nódoa indelével com que manchou o mandato.
Manuela Ferreira Leite – É mais credível do que Santana Lopes ou Luís Filipe Meneses mas as declarações são tão infelizes que fazem os outros parecer estadistas.
Washington – A reunião dos líderes do G20, que reúne 85% da economia mundial e dois terços da população global, foi parca em decisões mas enterrou o G8 e encenou o funeral simbólico de Bush.
União Europeia – A recondução de Durão Barroso, co-réu da invasão do Iraque e desertor do Governo português, prejudica a Europa como referencial de paz, justiça e respeito pelo direito internacional. O apoio português é injusto e provinciano.
Rússia – As bases militares na Abkásia e na Ossétia do Sul são uma provocação à Europa em resposta ao cerco da NATO e à demente aventura bélica da Geórgia com que Bush esperava alterar os resultados eleitorais nos EUA.
Pirataria – O apresamento de super-petroleiros e de navios com material de guerra reflectem a ausência de ordem mundial e a vulnerabilidade dos oceanos à acção de criminosos que declararam guerra ao comércio internacional.
Hillary Clinton – Obama arriscou confiar a política externa dos EUA à ex-rival, com posições divergentes, mas com preparação, cultura e sensibilidade para intuir que não há diplomacia sem ética e que a guerra é o fracasso das negociações.
Dias Loureiro – Para quem desconhecia falcatruas no BPN, foi milagre alienar, a tempo, as acções e retirar os depósitos do banco de que foi administrador mas a sua permanência no Conselho de Estado será desconfortável para ele e para o PR.
Guiné-Bissau – O país que derrotou o exército colonial português é incapaz de vencer a corrupção, a SIDA, a fome e as rivalidades tribais numa trajectória que torna inviável o seu futuro político.
França – O Partido Socialista dividiu-se ao meio entre duas candidaturas. Martine Aubry, a vencedora tangencial, tem a difícil tarefa de evitar a vocação suicidária do PSF e criar uma alternativa de esquerda ao poder de Nicolas Sarkozy.
Venezuela – Hugo Chávez viu a maioria reduzir-se nas eleições autárquicas, um aviso aos seus excessos, mas ficou claro que o crédito de que ainda goza é bem maior do que o daqueles que o quiseram derrubar.
Bombaim – Mais uma cidade mártir inscrita na geografia do terror de inspiração religiosa, mais um sangrento atentado que a demência fanática do Islão cometeu na Índia onde o exemplo de Ghandi devia ser a referência.
Banco de Portugal – Foi acusado de ter actuado tarde contra as administrações do BCP e do BPN, mas não teriam faltado queixas de perseguição, respectivamente ao Opus Dei e ao PSD, se, acaso, tivesse intervindo mais cedo e sem provas.
EUA – A eleição de Obama não mudou a América, mas mudou o mundo, na forma de olhar a América, um valor inestimável para a civilização comum, a democracia em que nos revemos e o combate aos perigos que nos cercam.
George W. Bush – Vai deixar de rezar com a senhora Condoleezza Rice na Sala Oval e dedicar-se aos negócios com Cheney e Rumsfeld. Se não fosse americano, talvez o julgasse o T.P.I. pela invasão do Iraque e a tortura em Guantánamo.
Sarah Palin – A ex-vice de McCain é uma caçadora de focas ignorante e beata. Ela e Bush vacinaram a América contra a influência dos fundamentalistas evangélicos, mas as vacinas têm prazo de validade.
Iraque – Os cúmplices de Bush na criminosa invasão não devem sobreviver em lugares de relevo. É preciso desinfectar a Europa, à semelhança do que o eleitorado já fez nos EUA.
Guantánamo – A vitória de Obama representa o triunfo dos direitos humanos sobre a tortura e a iniquidade. O presidente que os europeus desejaram será sempre americano, mas não nos envergonhará, porque é inteligente, culto e humanista.
Madeira – A suspensão do solitário e excêntrico deputado do PND pela bancada do PSD-M foi um acto tão grave que alterou o regular funcionamento das instituições e suspendeu a democracia na região onde pontifica um ex-salazarista.
Presidente da República – O comportamento face à suspensão e obstrução do deputado, por seguranças privados, e ao fecho da Assembleia Regional da Madeira, é a nódoa indelével com que manchou o mandato.
Manuela Ferreira Leite – É mais credível do que Santana Lopes ou Luís Filipe Meneses mas as declarações são tão infelizes que fazem os outros parecer estadistas.
Washington – A reunião dos líderes do G20, que reúne 85% da economia mundial e dois terços da população global, foi parca em decisões mas enterrou o G8 e encenou o funeral simbólico de Bush.
União Europeia – A recondução de Durão Barroso, co-réu da invasão do Iraque e desertor do Governo português, prejudica a Europa como referencial de paz, justiça e respeito pelo direito internacional. O apoio português é injusto e provinciano.
Rússia – As bases militares na Abkásia e na Ossétia do Sul são uma provocação à Europa em resposta ao cerco da NATO e à demente aventura bélica da Geórgia com que Bush esperava alterar os resultados eleitorais nos EUA.
Pirataria – O apresamento de super-petroleiros e de navios com material de guerra reflectem a ausência de ordem mundial e a vulnerabilidade dos oceanos à acção de criminosos que declararam guerra ao comércio internacional.
Hillary Clinton – Obama arriscou confiar a política externa dos EUA à ex-rival, com posições divergentes, mas com preparação, cultura e sensibilidade para intuir que não há diplomacia sem ética e que a guerra é o fracasso das negociações.
Dias Loureiro – Para quem desconhecia falcatruas no BPN, foi milagre alienar, a tempo, as acções e retirar os depósitos do banco de que foi administrador mas a sua permanência no Conselho de Estado será desconfortável para ele e para o PR.
Guiné-Bissau – O país que derrotou o exército colonial português é incapaz de vencer a corrupção, a SIDA, a fome e as rivalidades tribais numa trajectória que torna inviável o seu futuro político.
França – O Partido Socialista dividiu-se ao meio entre duas candidaturas. Martine Aubry, a vencedora tangencial, tem a difícil tarefa de evitar a vocação suicidária do PSF e criar uma alternativa de esquerda ao poder de Nicolas Sarkozy.
Venezuela – Hugo Chávez viu a maioria reduzir-se nas eleições autárquicas, um aviso aos seus excessos, mas ficou claro que o crédito de que ainda goza é bem maior do que o daqueles que o quiseram derrubar.
Bombaim – Mais uma cidade mártir inscrita na geografia do terror de inspiração religiosa, mais um sangrento atentado que a demência fanática do Islão cometeu na Índia onde o exemplo de Ghandi devia ser a referência.
Comentários
convido-o a ler o Vitor Dias sobre os resultados na Venezuela:
http://tempodascerejas.blogspot.com/2008/11/venezuela-e.html
do qual destaco uma frase:
"o PSUV de Chavez obteve no total mais de 5,6 milhões de votos (ou seja mais 1.300.000 que no anterior referendo) e que a oposição obteve 4,2 milhões de votos (menos 300 mil que no referendo) ?"
é verdade que uma comparação deste género seria mais correcta se fosse entre eleições similares (regionais)
mas os números elucidam bem que o apoio ao chavismo subiu, pois por um lado o referendo constitucional foi a maior derrota de Chavez e por outro, as eleições regionais foram desvirtuadas pelo apelo ao voto de apoio ao presidente, já que o voto oposicionista é mais disciplinadamente anti-chavez.
- consequências & inconsequências...
"Iraque – Os cúmplices de Bush na criminosa invasão não devem sobreviver em lugares de relevo. É preciso desinfectar a Europa, à semelhança do que o eleitorado já fez nos EUA."
Noam Chomsky , ensaísta e intelectual americano conhecido pelas suas posições políticas de esquerda e pela sua crítica da política externa dos EUA (descreve-se como um socialista libertário) afirmou recentemente que, no Iraque, Bush:
“actou como se trabalhasse para Osama Bin Laden!” .
Chomsky, critica de modo determinado a intensa proliferação de estruturas de opressão (justificadas por nebulosas doutrinas de “segurança”) e a globalização económica como um “sistema neocolonial global”.
Bush terá sido, neste século XXI, o primeiro dirigente político que se manifestou oficialmente a favor da tortura.
Um retrocesso humanitário e civilizacional intolerável.
Nesta cruzada teve os seus seguidores e cúmplices.
O séquito de Bush, nos States e no Mundo, caíu em desgraça ou estão politicamente desacreditados( ver caso de Aznar).
Infelizmente, existem, como em qualquer naufrágio, sobreviventes – caso de Durão Barroso – que continua no exercício de altas funções na CE e tem a veleidade de candidatar-se ao exercício de um novo mandato.
Ao contrário do que se tem propalado em Portugal com um forte cunho nacionalista absolutamente deslocado do ambiente comunitário da EU, a “doutrina portuguesa”, secundada por alguma Direita europeia (como Sarkosy) de que Barroso deve continuar (a todo o custo) no lugar que ocupa, é uma mescla de patriotismo, nacionalismo e chauvinismo, construção política para justificar impunidades, imunidades e o perpetuar de consequências institucionais.
Isto é, a continuação da Direita no topo da hierarquia política europeia.
Portugal, laico republicano e socialista (para citar a trilogia de Mário Soares) não pode (nem tem motivos) para apoiar a recandidatura de Barroso.
Deve juntar-se às forças políticas que no Parlamento Europeu, mostram ter memória histórica e combatem esta inopinada candidatura.
A interpretação política das próximas eleições europeias, cujos resultados traduzirão – com certeza - a actual situação política, económica e financeira mundial, serão determinantes para compreender a necessidade de mudança, nos altos centros de decisão e coordenação europeus.
Passou ao lado do BPP que ameaça tornar-se num problema financeiro e num grave problema polítco.
A teoria que a falência deste Banco coloca mal o País é anedótica.
Todo o País - e os mercados finaceiros internacionais - sabem que o Banco está falido.
Só que vamos fazer de conta que como no Antigo Testamento voltou a cair maná do céu...em socorro de ganaciosos e especuladores gestores de fortunas!
Pouco bíblico. Mais aparentado com a venerável D. Branca, uma percursora das pirâmides finaceiras !
Qualquer português interroga-se:
a operação de salvamento deste Private Banking, não nos vai custar muito caro?
o "sindicato bancário" que se constituíu para apoiar o regaste deste Banco, não o faz de borla.
Alguém terá de pagar comissões e juros.
Seremos nós (os contribuintes)?