O GES, o BES, o BPN, o Banif, o BCP e as desgraças que nos esperam

Rui Rio, para fazer prova de vida, afirmou nesta última terça-feira que era impagável a dívida portuguesa e inexequível o memorando de entendimento, salvo se o crescimento económico atingisse níveis absolutamente imprevisíveis.

Não é preciso um curso de economia para uma profecia ao alcance de um guarda-livros por correspondência. Só um Governo autista, com a missão de desmantelar o Estado, de modo a que nunca mais possa cumprir as suas funções sociais, é capaz de afirmar que o País está melhor, apesar de os portugueses estarem pior.

Na Justiça só faltava o amadorismo e irresponsabilidade com que a reforma foi lançada para que 3,5 milhões de processos desaparecessem em Citius avariado.

Do BES BOM, depois de anunciado como o mago de uma solução que só o governador do Banco de Portugal seria capaz de congeminar, Vítor Bento partiu sem indemnização e deu lugar a um quadro que certamente já lhe teria sido imposto, pois não é num fim de semana que se negoceia a vinda de um alto quadro de um banco estrangeiro.

Surpreendente é a reiterada afirmação pública de que a administração do BES BOM não se destina a geri-lo mas a liquidá-lo, no mais curto espaço de tempo, afirmação que se sabe desvalorizá-lo, como qualquer vendedor de carros em segunda mão poderia ter dito ao Governo. Afirmar a pressa na venda é mostrar desespero ou, deliberadamente, no que não acredito, querer prejudicar os interesses do Estado para benefício do comprador.

O PR não pode refugiar-se no silêncio perante este leilão do país, afundado no pântano da corrupção, da incompetência e da mentira. Os jornalistas avençados que teceram loas a Vítor Bento são os mesmos que veem um achado no substituto e verão um milagre em qualquer decisão que tome.

Só não percebo a benevolente indulgência perante os crimes financeiros do século. Dá para pensar que os autores, se fossem do PS, já estariam presos e, se fossem do PCP ou do BE, já teriam sido provisoriamente fuzilados.

Ponte Europa / Sorumbático

Comentários

pvnam disse…
PARA QUE CERTOS SECTORES DE ACTIVIDADE NÃO VENHAM A «FICAR ENTREGUES À BICHARADA»


É uma actividade complementar à regulação... e faz todo o sentido
.
.
-> No blog "'Fim-da-Cidadania-Infantil'" faz-se referência ao facto de ser necessário uma apresentação sistemática da actividade governamental... para que... quem paga (vulgo contribuinte) possa ter/exercer uma atitude crítica (nota: o seu Direito de Veto).
-> De uma forma análoga, as empresas públicas devem apresentar de forma sistemática a sua actividade (nota: a definir caso a caso... consoante o tipo de actividade da empresa pública)... para que... o consumidor/contribuinte possa ter/exercer uma atitude crítica!
Um exemplo: quiseram introduzir taxas em cada levantamento multibanco... todavia, no entanto, o consumidor/contribuinte reagiu: "o banco público C.G.D. apresentava lucros... sem ser necessário a introdução de mais uma taxa"!?!?!
.
.
Resumindo:
1- ficar à espera de auto-regulação privada/(de mercado) é coisa de otários...
2- a Regulação Estatal é necessário... todavia, no entanto... é algo que poderá ser um tanto ou quanto contornável... (uma nota: ver casos do BPN e do BES)
3- para que certos sectores de actividade [exemplo 1: a actividade política; exemplo 2: sectores estratégicos da actividade económica] não venham a «ficar entregues à bicharada»... é necessário que exista uma apresentação sistemática da sua actividade [ex. 1: governo; ex. 2: EMPRESAS PÚBLICAS em sectores económicos estratégicos] ... para que... o consumidor/contribuinte possa exercer uma constante atitude crítica!
.
.
.
P.S.
Uma opinião um tanto ou quanto semelhante à minha:
Banalidades - jornal Correio da Manhã:
- o presidente da TAP disse: "caímos numa situação que é o acompanhar do dia a dia da operação e reportar qualquer coisinha que aconteça".
- comentário do Banalidades: "é pena que, por exemplo, não tenha acontecido o mesmo no BES".
e-pá! disse…
O problema do ex-BES é que este Governo dá a entender que o Estado não tem nada a ver com o assunto. É um problema do sector bancário através do nebuloso Fundo de Resolução (onde o Governo está directa e indirectamente representado).

Preocupante, portanto, é, face a este endosso, o silêncio e o aparente alheamento da corporação bancária. O BdP transformou-se numa espécie de oráculo de Delfos.

O que surge à luz do dia é uma macabra dança de gestores, como por exemplo, o senhor Stock que parece ter por encomenda a 'stockagem' (por que preço?) dos salvados do ex-BES.
Ao banco onde, ao longo da vida, fez a sua brilhante carreira?...
No sector bancário não existe conflito de interesses?
Agostinho disse…
e-pá,
eles, os gestores, vão circulando em função das "necessidades" de momento, definidas e decididas por entidades supra-nacionais, formais e ad-hoc. Quem decide o futuro, O NOSSO, é uma cadeia intermédia de poder consignado em organizações como as UE, BCE, FMI sob tutela de um "altíssimo" que não se vê mas que está em todo o lado (os peões são bem remunerados para fazerem o seu papel). Os nossos, governo, Banco de Portugal, os gestores não passam de operários a carregar tijolos.
Quanto ao povaréu segue pelo carreiro que lhe apontam. "Ai aguenta, aguenta... que remédio" . O caminho foi persistente e cuidadosamente minado para que a probabilidade de revolta seja mínima.

Mensagens populares deste blogue

A ânsia do poder e o oportunismo mórbido

Nigéria – O Islão é pacífico…

Macron e a ‘primeira-dama': uma ‘majestática’ deriva …