Santana Lopes – Provedor da Misericórdia de Lisboa

Há dias a comunicação social referiu que uma auditoria à Misericórdia de Lisboa punha em causa a sua viabilidade futura. Tal como as trovoadas de maio, a notícia apareceu de repente e extinguiu-se a seguir. Anteontem, a Visão trazia uma entrevista ao benemérito gestor que tinha começado no dia anterior o segundo mandato para que Passos Coelho o reconduziu.

É do conhecimento público a relevante importância social da instituição cujo monopólio dos jogos, com exclusão dos casinos, lhe garante somas astronómicas. Contrariamente às «Santas Casas da Misericórdia», não raro pouco santas e onde a misericórdia começa pelo provedor, a Misericórdia de Lisboa é do Estado. As outras são diocesanas e cabe ao bispo o poder discricionário sobre as nomeações e destituições dos «irmãos mesários».

Santana Lopes ofereceu-se para provedor, lugar a desempenha gratuitamente, apesar de se lhe conhecer mais tendência para o esbanjamento do que para a gestão, como deixou provado nas Câmaras da Figueira da Foz e de Lisboa, para não falar do seu Governo.

Não sei se as funções estatutárias estão a ser cumpridas mas, a avaliar pela notícia que os portugueses, no seu habitual desinteresse pelas coisas públicas, logo esqueceram, o horizonte da instituição está em perigo e Santana Lopes foi recentemente reconduzido.

Interessa menos o que conste sobre o número de pessoas ali colocadas e os vencimentos que lhes foram atribuídos do que uma averiguação transparente, isenta e pública sobre o que realmente se passa. Não pode haver instituições do Estado sem escrutínio público.

Nem privadas, como dolorosamente os portugueses souberam.

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