Passos Coelho e tributárias convicções…

Uma revista semanal levantou a hipótese do actual primeiro-ministro estar a ser investigado no âmbito de eventual acumulação ilícita de vencimentos quando, entre 1997 e 1999, exercia funções de deputado da República, em regime de exclusividade link .

O gabinete do primeiro-ministro declarou que o governante está ‘convicto’ de que cumpriu as suas obrigações link.

Ora bem, grande número de portugueses e portuguesas estarão também convictos que não viveram acima das suas possiblidades e não foi por alimentarem essas ‘convicções’ que escaparam a duras medidas de austeridade ou passaram ao lado de tremendos sacrificios. 
É público que a empresa onde Passos Coelho trabalhou (Tecnoforma) está a ser investigada pelo Ministério Público (DCIAP). O processo está, como é de Lei, em segredo de Justiça e, como refere o comunicado da PGR, “não corre, até à data, contra pessoa deteminadalink.  
Idêntica resposta foi proferida em 22 de Fevereiro de 2013 (há ano e meio) link e segundo se depreende pouco ou nada evoluiu nesta investigação, no que diz respeito a pessoas.

A revelação da revista Sábado ultrapassa, contudo, a investigação que recai sobre a referida empresa. Na verdade, o ex-deputado é, hoje, o primeiro responsável pelo Governo da República. E se acaso se confirmarem os actos e as omissões descritos e, consequentemente, a existência de um processo de investigação, apesar de todas as suas convicções, não restará outro caminho a Pedro Passos Coelho para além da demissão. São estas as regras da ética e conduta republicana que decorrem da condição política apesar do processo judicial em curso. Aqui, não existe espaço para pedidos de desculpas, expediente político que parece ter contaminado o XIX Governo Constitucional.

Dizia Nietzcshe: “as convicções são inimigas da verdade, bem mais perigosas que as mentiras…” 
Todos sabemos que situações que sobrevivem exclusivamente tributárias de convicções são o prelúdio de ‘delírios’…

Nota: O termo ‘tributárias’ foi usado ocasionalmente, mas poderá não ser inocente.

Comentários

Agostinho disse…
Está o caldo entornado pela certa.
O termo "convicto" cheira a esturro.
É claro que a convicção lhe advém da inimputabilidade dos figurões.

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