Dois exemplos de verdadeira cidadania



Sob o título em epígrafe, Mário Nunes, vereador da Cultura, informa os leitores, através do «Diário as Beiras», de duas acções de cidadania que presenciou («presenciámos» - plural majestático usado) da janela do andar onde mora.

«Estávamos na janela do andar em que moramos» - descreve.

«Um médico, nosso conhecido, passeava como é habitual, com o seu cão (Dálmata) pela trela. O animal entrou na relva lateral à rua e fez as suas necessidades fisiológicas. O dono, que vinha prevenido com um saco de plástico (costume que deve ser rotineiro), retirou-o do bolso e recolheu os dejectos. Continuou o seu caminho.

No rés-do-chão do prédio reside um arquitecto. Com dois sacos de lixo para o contentor, ao sair de casa deparou com diversos sacos de plástico e jornais a conspurcar o ambiente. Sem hesitações, recolheu aquele material avulso que alguém, anti-cidadania, atirara para a rua, carreando-o para o contentor. Era domingo e o sol convidava a passear, a frequentar um jardim, a olhar o Mondego, a usufruir de um espaço confortável, aprazível».

Hoje, os leitores D’ As Beiras ficaram a saber que no prédio do Sr. Vereador mora um médico prevenido com um saco de plástico e um arquitecto que carreia sacos de plástico e jornais para o contentor.

Com exemplos assim, um edil só deve sair da janela para se afoitar nos caminhos da prosa.

O romantismo e o fino recorte literário, com que Mário Nunes apela à cidadania, valem a transcrição da parte final do artigo, respeitando pontuação e estilo, para que a forma e o conteúdo sejam admirados:

«Era domingo e o sol convidava a passear, a frequentar um jardim, a olhar o Mondego, a usufruir de um espaço confortável, aprazível. E, reflectimos, mais uma vez se todos nós, seguirmos o exemplo destes dois cidadãos, e se os outros que destroem e conspurcam a cidade, se portarem como munícipes empenhados na valorização da urbe em que vivem ou dela usufruem hospitalidade e riqueza para seu uso ou deleite, com certeza Coimbra tem mais encanto. Não só na hora da despedida, mas em todas as horas da sua existência. Sejamos cidadãos de pleno direito».

TRIBUNA
Mário Nunes *
* Vereador da Cultura da Câmara Municipal de Coimbra

Comentários

Anónimo disse…
O CARLOS ESPERANÇA FALA...FALA...FALA...FALA...MAS AO CONTRÁRIO DE MUITOS LÊ O MÁRIO NUNES E ATÉ O CITA. ESSA É QUE É ESSA.
Anónimo disse…
O Mário Nunes não era assim. Ficou assim com a convivência com o Vilar....
Anónimo disse…
Mano 70:

Não o perco. Mário Nunes faz melhor ao fígado do que muitos coleréticos.

Caro leitor, não perca

http://www.marionunesdixit.blogspot.com/

um blog que (à semelhança de Zagalo) é um biógrafo dedicado do futuro comendador Mário Nunes
Anónimo disse…
exemplo de não cidadania:

...no meu prédio vive um MÉDICO que...

...no meu prédio vive um ARQUITECTO que...

exemplo de cidadania era tratar as pessoas como pessoas e não com títulos aristocráticos.
É por ser médico que o seu acto foi mais civilizado? Ou o seu acto é civilizado porque o é?
Anónimo disse…
Quem é o cão?
Mano 69 disse…
Ainda não percebi essa sua fixação em relação a Mário Nunes, será forma ou feitio?

Hummmmmmmmmmmmm

Quem será o mano 70...
Anónimo disse…
Cool blog, interesting information... Keep it UP » » »

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