Brasil em perigo de retrocesso

A eventual eleição de Geraldo Alckmin na segunda volta das eleições brasileiras constituiria um sério retrocesso para as conquistas em matéria de liberdade religiosa nos governos de Fernando Henriques Cardoso e de Lula da Silva.

A separação da Igreja e do Estado, que o regime democrático aprofundou, ficaria em perigo com a eleição de um presidente ligado à mais fanática e intolerante seita da Igreja católica - o Opus Dei e constituiria um sério revés para o pluralismo religioso.

Vários órgãos da comunicação social têm manifestado apreensão pelo candidato que é filho de um elemento proeminente do Opus Dei, que promove reuniões periódicas com membros da seita e que tem um confessor (pecados não lhe faltarão) da prelatura.

Eis uma razão acrescida para desejar a vitória de Lula e a derrota de Alckmin, deixando a este mais tempo para cuidar da alma e dedicar-se ao serviço divino.

Para além, naturalmente, da política de solidariedade social e de respeito dos direitos humanos que Lula se esforçou por ampliar e que ficaria seriamente ameaçada.

Comentários

Anónimo disse…
Carta aberta de Frei Betto aos eleitores cristãos
07.10.2006 Source: URL: http://port.pravda.ru/cplp/brasil/13126-freibetto-0
A 29 de outubro escolheremos quem governará o Brasil nos próximos 4 anos: Lula ou Alckmin. Os dois são cristãos. Os dois nunca deram mostras de tendência fundamentalista, a de querer submeter a política à autoridade de uma Igreja ou religião.
A política é laica, ou seja, neutra em matéria de religião. Ela visa ao conjunto da população, sem levar em conta as convicções religiosas do cidadão ou cidadã. A todos o governo tem a obrigação de servir, assegurando-lhes direitos, proteção e o mínimo de bens para que possam viver com dignidade.
Se nenhuma religião tem o direito de tutelar a política, isso não significa que a política deva se confinar no pragmatismo do jogo de poder. A política se apóia em valores éticos. E nós, cristãos, temos como fonte de valores a Palavra de Jesus. É à luz do Evangelho que avaliamos todas as esferas da atividade humana, inclusive a política ¬ que é a mais importante delas, pois influi em todas as outras.
Para Jesus, o dom maior de Deus é a vida. Está mais próxima do Evangelho a política que favorece condições dignas de vida à maioria da população. É neste ponto que as políticas do PSDB e do PT ganham contornos diferentes. Os dois partidos tiveram desvios éticos? Sem dúvida. Como ironiza Jesus, atire a primeira pedra quem não tem pecados. Errar é humano. Persistir no erro é abominável. Se um membro da família erra, não se pode condenar por isso toda a família. O grave é quando a família toda abraça o caminho do erro.
Este foi o caso do PSDB, partido de Alckmin, nos 8 anos em que FHC (Fernando Henrique Cardoso) governou o Brasil (1994-2002). Empresas públicas foram privatizadas. Grandes empresas brasileiras ¬ Vale do Rio Doce, Embratel, Telebrás, Usiminas etc - patrimônios do povo brasileiro, cujos lucros engordavam os cofres do Estado, foram vendidas a preço de banana, e os lucros passaram a ser embolsados por corporações privadas, muitas delas estrangeiras.
Lula não privatizou o patrimônio público. Eleger Alckmin pode ser o primeiro passo para a privatização da Petrobras, do Banco do Brasil, da Caixa Econômica Federal e dos Correios.
No governo FHC, as políticas sociais eram tímidas e assistencialistas. O Comunidade Solidária era uma iniciativa nanica comparada à grandiosidade do Bolsa Família, que hoje distribui renda para mais de 40 milhões de pessoas. Graças a isso, de cada 100 brasileiros que viviam na miséria, nos últimos 4 anos 19 passaram à classe média.
No governo Lula houve, sim, desvios éticos: o caso Waldomiro Diniz; o "mensalão" e os "sanguessugas"; a quebra do sigilo bancário do caseiro de Brasília; o dossiê contra Serra. Não há nenhuma prova de que o presidente soubesse antecipadamente dessas operações inescrupulosas. E ao virem a público, ele tratou de demitir os envolvidos.
No governo FHC, dinheiro público foi usado para tentar socorrer bancos privados: o Proer. O Banco Econômico recebeu R$ 9,6 bilhões. Instalou-se uma CPI que, controlada pelo Planalto, justificou a maracutaia e nunca investigou a Pasta Rosa que continha os nomes de 25 deputados federais subornados pelo Econômico.
Houve ainda os casos dos precatórios; da compra de votos para aprovar a emenda constitucional que permitiu a reeleição de FHC; do socorro aos bancos Marka e FonteCidam no valor de R$ 1,6 bilhão (os tucanos impediram a instalação da CPI para investigar o caso); as falcatruas na Sudam etc. Nada foi apurado, porque o Procurador-Geral da República, Geraldo Brindeiro, conhecido como "engavetador-geral", engavetou, até maio de 2001, 242 processos contra o governo e arquivou outros 217, livrando os suspeitos de qualquer investigação: 194 deputados federais, 33 senadores, 11 ministros e ex-ministros, e o próprio presidente da República.
O governo FHC tratou os movimentos populares como caso de polícia, e não de política. Remeteu o Exército para reprimir o MST e os petroleiros em greve. Lula jamais criminalizou movimentos sociais e, sob o seu governo, a Polícia Federal levou à prisão gente graúda, dos donos de uma grande cervejaria a juízes, e inclusive petistas envolvidos no caso do dossiê anti-Serra.
O governo Lula reforçou a soberania do Brasil. Repudiou a Alca proposta pelo governo Bush; condenou a invasão do Iraque; visitou a cada ano países da África; abriu as portas de nossas universidades a negros e indígenas; estendeu energia elétrica aos mais distantes rincões; manteve a inflação sob controle; impediu a alta do dólar; reduziu os preços dos gêneros de primeira necessidade; ampliou o poder aquisitivo dos mais pobres, através do aumento do salário mínimo.
Lula ainda nos deve muito do que prometeu ao longo de suas campanhas presidenciais, como a reforma agrária. Porém, o Brasil e a América Latina serão melhores com ele do que sem ele. Se você está convencido disso, trate de convencer também outros eleitores.
Vamos votar na vida ¬ e "vida para todos" (João 10,10). Vamos reeleger Lula presidente!
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Frei Betto é frade dominicano e escritor, autor de 53 livros, e assessor de movimentos sociais.
Vítor Ramalho disse…
Entre um e outro que venha o diabo e escolha.
Anónimo disse…
ó velhote, leia-se esperança:
Tem juízo meu.. tem juízo! a tua democracia é fantástica. só achas que há democracia, quando os teus vencem...
mas olha, antes de falares no brasil, olha para o teu umbigo e vê o que se está a passar em portugal... aqui, sim... aqui é que estamos em perigo de retrocesso...
Não há diálogo com os sindicatos... as decisões estão sempre tomadas... EU QUERO POSSO E MANDO..
Anónimo disse…
Qual é o problema se um país for governado por um crente em Jesus Cristo?
A doutrina cristã no governo de uma nação só pode trazer coisas positivas.
Ao contrário dos ateus com a sua cultura de morte (aborto, promoção da promuiscuidade sexual, homossexualidade), a sua destruição da nossa identidade como Povo e Nação baseados na Palavra de Nosso Senhor Jesus Cristo, um governante crente e temente a Deus só nos poderá valer como orientador num caminho de progresso e prosperidade em respeito pelos mais sagrados valores católicos de um povo crente como nós.
Anónimo disse…
CE:
Ridícula esta posta sua!!!
Não importa que um (ou provavelmente os 2...) dos candidatos seja corrupto e tenha visto o seu mandato fustigado por sucessivos escândalos.
Importa é a questão religiosa e, segundo diz, Alckmin é do Opus Dei!!! Como se diz em bom Português: O que tem o cu a ver com as calças?
Com toda a frontalidade acho que se trata de um argumento sem pés nem cabeça.
Outras razões haverá para os brasileiros escolher Lula. Certamente que não será pelo facto de ele não pertencer ao Opus Dei...
Braveman disse…
Ser de esquerda parece que apaga os pecados. é interessante!

Concerteza nunca aconteceu o mensalão.

Que medo este da direita e da igreja. é algo inexplicável.

Fala da Opus dei. E a maçonaria. Porque é uma boa e a outra má. ou vice versa. é ridiculo este discurso.

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