Polónia – Os ultras no poder

Um governante polaco, Miroslaw Orzechowski, vice-ministro da Educação, considera a teoria da evolução de Darwin uma mentira. O dirigente político da Liga das famílias polacas (LPR, extrema-direita ultra-católica) considera o evolucionismo «uma história de carácter literário que poderia servir de guião a um filme de ficção científica».

Tal como nos EUA, onde a teoria criacionista vai sendo imposta, também na Europa começam a aparecer defensores da verdade, única e imutável, a que vem na Bíblia.

Deus fez o Mundo em seis dias e criou o primeiro casal: Adão e Eva. Depois, de forma incestuosa foi-se povoando o Planeta.

Grave é o facto de a demência chegar ao Governo.

Miroslaw Orzechowski é uma espécie de Mariana Cascais em versão polaca.

Comentários

Camisa Azul disse…
Não vejo a gravidade da opinião.
Grave era se ele pretendesse impedir opiniões contrárias.
Ou agora por se ter uma opinião diferente da sua já se é logo crucificado.
Aqui se vê o seu conceito de democracia.
Manel disse…
A ignorância é o prado para a demagogia.
e-pá! disse…
A Polónia saíu do período comunista para, depois de várias confusões e equívocos, ir progressivamente adoptando ideologicamente uma postura católica, à mistura com o nacionalismo. É, podemos dizer, a herança política de Roman Dmowski um inspirador, determinante, do Solidariedade (Solidarnosc de Lech Walesa).
O "nacional-catolicismo" rapidamente entrou em choque as bases doutrinárias daquilo que conhecemos, na Europa, como democracia-cristã.
Ao fazê-lo precipitou o "fim" do Solidariedade, enquanto força política emergente e determinante, no período imediato do pós-comunismo.
Nas eleições parlamentares de 2001, a direita concorreu dividida por vários partidos, mas a nota dominante era o nacionalismo.
Essa divisão era fictícia e a concertação política, sob o denominadores comuns - o catolicismo e o nacionalismo - surgiu fácil e naturalmente.

Em 2005, quer nas eleições parlamentares, quer nas presidenciais, vencem o partido Direito e Justiça e a Liga da Famílias Polacas.
Ambos são lídimos representantes da direita nacional-católica, ideologia retrógrada que, nos dias de hoje, domina o cenário político polaco.
O primeiro-ministro Kaczinski conquistou o poder para esta clique nacional-católica na sequência de sucesssivas crises que paralisaram e desprestigiaram os partidos tradicionais: liberais, sociais-democratas e democratas-cristãos.
Hoje, Kaczinski dirige um governo de coligação coligação de conservadores, nacionalistas e católicos integristas. Conta com a "cooperação estratégica" do presidente da República polaco, Lech Kaczynski (irmão do chefe do governo).
O primeiro-ministro Kaczinski ombreia com Blair no apoio à política belicista de Bush para o Mundo. O presidente Kaczinski pretende reforçar os laços económicos e militares com os EUA...
É o que se pode chamar uma perfeita sintonia.
O governo Kaczinski defende leis anti-homossexuais e a reintrodução da pena de morte.

Porque, então, o espanto de os ver e ouvir a defenderem a "teoria criacionista"?

Deste modo, o actual poder polaco continua cada vez mais próximo, em maior comunhão, com o evangélico Bush.

Amen!
Anónimo disse…
Ó Vitor Ramalho, é conveniente ter algum pudor em público, e não confundir os alhos e os bugalhos. Uma coisa é o direito democrático à opinião, e outra é o direito a ser pateta, que não existe. Uma coisa é a fé, outra é a ciência. Convém separá-las. Por esse andar, qualquer dia voltamos ao tempo em que o sol rodava à volta da terra! E de facto pouco falta!
Camisa Azul disse…
Anónimo
Pateta é você

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