Eleições brasileiras. Análise de um leitor



Em 2002, Lula entrou em Brasília carregando um gigantesco capital de esperança.Hoje, temos a nítida noção de o mesmo era demasiado pesado para os seus ombros.
Lula era a promessa de um "governo popular". Quem viu as imagens da sua tomada de posse facilmente reconheceu as expressões de uma gloriosa alegria popular.

Ao longo dos 4 anos de exercício, afastou-se do partido que ajudou a construir. Enredou-se na convulsiva e tenebrosa política brasileira, pejada de escândalos políticos, de corrupção e de caciquismos. Os seus companheiros de caminhada vão caíndo um a um atolados em CPI's (Comissões Parlamentares de Inquérito). Foi a dos correios, do mensalão, a das sansegussugas, etc.

O seu partido, perde militantes de prestígio, os politicamente mais activos, os mais ligados ao movimento popular. Esqueceu-se que o governo popular que, abnegadamente sonhou e tentou construir, só era viável com a participação popular.

O programa "Fome Zero", os "Sem Terra", a estabilidade financeira que Pallocci transmitiu, etc., não conseguem esconder as misérias do seu governo.Lula tenta pairar sobre esta avalanche de manobras, corrupção, de compadrios. Não consegue fazer passar uma imagem de inocente. Ninguém acredita que não esteja ao par do que se passa no Brasil e no seu partido.

E, a situação que o conduz às urnas para um segundo mandato é a seguinte:- consagrado nas urnas em 2002 com 52 milhões de votos, Lula, durante o seu exercício, vai perdendo dezenas de milhões de eleitores; - quase 40% das pessoas que o guindaram em 2002 à Presidência, já não o querem lá.No mês que resta para a 2.ª volta, em minha opinião, vai continuar a afundar-se nos meandros e na voracidade da política brasileira. Hoje, ninguém fala de Davos e Porto Alegre, onde a sua figura brilhou. Procede-se, unicamente, a cobranças caseiras.Desenvolveu na 1.ª volta uma capciosa argumentação para fugir aos debates com os outros candidatos. Hoje, o seu porta-voz é lesto a declarar que Lula está pronto para debates.

As sucessivas purgas dos seus colaboradores mais próximos (Dirceu, Pallocci, etc.), por envolvimento em escândalos políticos, económicos e financeiros, desbarataram o seu gigantesco capital político e, pior, privam-no de uma estratégia de vitória.

Resta-lhe um olhar solitário sobre a imensidão daquele País e a fidelidade de um PT corroído e esfrangalhado pelo desgaste do exercício do poder. Um PT que necessitava de ter sido tratado de outra forma para colectar na sua matriz, isto é no terreno social, forças o reconduzissem, de novo, ao Palácio do Planalto.A tragédia de Lula no "day after"... é chocante, mas retrata uma experiência de governo capaz de fornecer muitos ensinamentos políticos à América Latina e ao Mundo.

a) e-pá

Comentários

Anónimo disse…
CE, hoje, está magnânimo. Promoveu um comentário a posta.
Muito bem!
Anónimo disse…
Lula,é um traidor.Merece perder para o pulha do Alckmin

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