A PIDE nunca existiu?














Eis uma inocente carta interceptada, violada e roubada pela PIDE em 25-11-1963 - P.º 773 -C.I. (I)

Comentários

Mano 69 disse…
E assim se provam duas coisas:

1. Que a PIDE existiu e sonegou uma carta a uma pessoa concreta que no presente caso até é o Carlos Esperança. Desde já lhe deixo as minhas saudações pela descoberta desta missiva após tantos anos.

2. Que o Carlos Esperança graças ao “boicote” da PIDE passou ao lado da profissão de jornalista.
Anónimo disse…
mano 69:

O original encontra-se na Torre do Tombo.

1 - Não prova que eu tenha passado ao lado da carreira de jornalista;

2 - Prova que a PIDE, além de cruel, era mesquinha.
Fui, há algum tempo, à Torre do Tombo pedir para ver o que é que lá havia, em termos de arquivos da PIDE/DGS, sobre mim - o que qualquer pessoa o pode fazer, sem pagar nada.

Demorou cerca de um mês (!!) a obter a resposta, mas valeu a pena.

Pude consultar (e pedir fotocópias - que demoraram mais umas semanas...):

1 - Alguns relatórios feitos por agentes no seguimento de recolha de informações.
Um, foi por eu ter assinado, em 1969, uma lista de apoio ao MDP. A outra, foi do Ministério da Marinha a saber se a PIDE me "recomendava" para lá fazer a tropa.

2 - Várias cartas que eu escrevi para familiares e amigos quando estive a fazer estágio na Holanda.
Tudo aberto, fotocopiado, sublinhado e anotado por eles...
Mano 69 disse…
Concordo inteiramente com o cruel, mesquinha e muito mais. Dou-lhe o exemplo de os livros que apreendiam e que, algumas vezes, apareciam depois nos alfarrabistas para venda...

Quanto ao não provar que não teria abraçado a profissão de jornalista, se não fosse cerceado nos seus intentos, tenho as minhas dúvidas.
Anónimo disse…
mano 69:

Obrigado pela amabilidade.

Fui muito feliz nas profissões que escolhi.
e-pá! disse…
Mano 69

A carta transcrita é um exemplo (um simples exemplo) do que se fez no País durante os 48 anos de ditadura em actividades censórias, na violação dos Direitos individuais, enfim, no constante e continuado atropelo às liberdades fundamentais.

Quando afirma "E assim se provam duas coisas: ..." está a tentar-se reduzir este universo de ignomínia e de violações das pessoas a um pequeno incidente.
Não o é.
O que importa reter é que esta carta funciona como um indicador dos sistemáticos atropelos, das perseguições, das violações, das mortes, etc. de todos aqueles que ousaram discordar (e foram muitos).
Um periodo negro por onde este Povo passou, durante 48 anos, onde a repressão, brutal ou cínica, tanto faz, foi a máscara que imperou, por todo o lado, para silenciar o continuado espezinhamento dos Direitos Humanos.
É o que foi.
Não vale a pena "branquear" ou iludir.
Anónimo disse…
Essa instituição execrável foi uma excrescência cravada nas costas deste país cabisbaixo, durante várias décadas.
Não foram só as prisões arbitrárias, as torturas e os assassinatos, este episódio revela bem até onde ia a mesquinhez da sinistra organização.
Ignorar ou tentar branquear a sua existência é uma afronta a todas as vítimas de todas as polícias politicas.
Manel disse…
Uma achega para o tal museu do sal+azar!
Mano 69 disse…
Ó e-pá! para mal dos meus pecados estava a generalizar e isto como sabe às vezes pega-se...
Claro está que eu não quero reduzir a ditadura ás "duas coisas" que referi nem mesmo utilizar restaurador Olex no branqueamento do fascismo. Não me queira colar a isto s.f.f.

O fascismo existiu e esta carta do Carlos Esperança é um documento entre muitos milhares de outros do que a PIDE podia e fazia ás pessoas e ás suas convicções.
Anónimo disse…
Fraco é o professor que envia uma carta rasurada ao director de um jornal. a ministra da Educação, afinal, tem razão. A sorte do Prof. Esperança é que já esta reformado.
Unknown disse…
"Fraco é o professor que envia uma carta rasurada ao director de um jornal"

foi o que você retirou da carta, a rasura. e que coisa importante, a rasura. comparável ao maior erro ortográfico. a sua cabeça está cheia de inveja, ódio, excrementos. porque se você tivesse enviado uma carta seria para, de joelhos, denunciar quem tivesse murmurado a palavra "liberdade"

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