O PSD, a guerrilha interna e o futuro
Sá Carneiro, tinha um programa e um projecto para o PPD (actual PSD) que fundou com Magalhães Mota, Pinto Balsemão, Mota Amaral e outros. Quis um partido social-democrata e bateu-se pela adesão à Internacional Socialista que integra os partidos socialistas e sociais-democratas.Hoje, os que se reclamam da herança do desditoso líder, cujas qualidades de governante não teve tempo de demonstrar, são tudo menos sociais-democratas. Encostaram-se aos partidos liberais do Parlamento Europeu onde não se lhe reconhecem divergências.
Aliás, só há divergências quando existem ideias, projectos e programas. O actual PSD não tem programa, projecto ou ideias. Tem lugares políticos conquistados à sombra do clubismo e da troca de favores. Verdade seja dita que não é o único, infelizmente. O PS e o CDS sofrem do mesmo mal, sendo o CDS um mero projecto pessoal de Paulo Portas que apagou a matriz conservadora que o filiou no Partido Popular Europeu (PPE).
Mas voltemos ao PSD cuja guerra tribal se encontra no auge, em véspera de eleições para a liderança onde se jogam os futuros lugares parlamentares (nacionais e europeus) e, sobretudo, as imensas sinecuras que pululam discretamente nas autarquias e nas Empresas Públicas municipais que criaram a sorrelfa e fogem ao controlo do Estado e do Tribunal de Contas.
Há comentadores que, perante as lutas de personalidades que se distinguem apenas pela clientela que as acompanham, vaticinam o fim do PSD. Pura ilusão. Não é o cimento ideológico que os aproxima nem os sólidos rancores que os afasta. São mais fortes os interesses que ligam a imensa clientela, que teme o futuro fora da guarida do partido.
A Junta de Freguesia onde moro tinha, há dois mandatos, um funcionário administrativo e dois coveiros. Hoje tem cerca de vinte funcionários. Os vencimentos dos membros das Juntas eram simbólicos. Hoje já pesam no erário e no apetite individual.
Portugal não cria as cinco regiões administrativas, que tornariam coerente e funcional a divisão do País, mas já vai em 308 concelhos e 4261 freguesias, com tendência para aumentar. As clientelas vão exigir sempre mais.
Comentários
Que admire o homem no recato da sua casa ainda compreendo. Que plagie as sua ideias ao mesmo tempo que diz mal do homem, é pouco honesto!