Congresso de médicos católicos

Informa o Diário de Coimbra de hoje que está a realizar-se (tendo começado ontem e acabando hoje) um "Congresso Nacional dos Médicos Católicos Portugueses", no auditório da Fundação Bissaya Barreto.

A ajuizar pela fotografia que ilustrava o texto, que mostrava uma sala com mais lugares vagos do que ocupados, os médicos católicos ou são muito poucos ou não se interessaram por tão importante evento.

Ontem a estrela do dia (ou da noite) foi o inevitável Dr. Daniel Serrão, que entre outras coisas disse que "o Serviço Nacional de Saúde é uma ilusão", ao que parece porque "mais de dois milhões de pessoas da classe alta e média alta estarem a pagar do seu bolso cuidados de saúde que poderiam obter gratuitamente através do SNS". Coitados dos ricos, que têm de pagar os cuidados de saúde do seu bolso para não se verem misturados com a ralé!

Outro dos temas discutidos foi "Teremos direito à saùde?", problema que pelos vistos continua a preocupar os católicos. Os laicos representantes eleitos pelo Povo para redigir a Constituição já tomaram posição sobre ele há mais de 30 anos, proclamando no artigo 64 da nossa Lei Fundamental que "todos têm direito à protecção da saúde".

Comentários

ana disse…
Um dos problemas do nosso país é, quanto a mim, a percentagem (grande) de pobres que não se importam de ser pobres desde que pareçam ricos. Fogem da boa comidinha e dos bens essenciais para poderem pagar a prestação da casa acima das suas posses, do carro novo, do colégio particular e do seguro de saúde. Pagam em prestações as férias em qualquer praia pior do que as nossas desde que, é claro, possam dizer que estiveram no estrangeiro. E não podemos esquecer os nomes dos rebentos: Martim, Santiago, Salvador, de tal maneira que já obrigaram os ricos a voltar ao Manuel e ao António. E quando o problema de saúde é complicado e a apólice não cobre, lá recorrem ao SNS, porque esse sim, é seguro e abrange todos, apesar dos muitos problemas de que sofre.
André Pereira disse…
O comentário da Ana é certeiro e pragmático! Boa!
O que não se percebe é como não são os que se dizem mais seguidores das lições de Cristo a estar na linha da frente de um Serviço que nos torna a todos filhos de um Deus maior: o Deus da fraternidade, do apoio no infortúnio, da doença, na vulnerabilidade. Não por misericórdia, por esmola ou caridade, mas por direito, por cidadania, por respeito verdadeiro ao próximo, como Cristo nos ensinou, mas a Santa Madre Igreja teima em esquecer.

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