Momento zen de segunda_16-11-2009

João César das Neves (JCN), ex-assessor do ex-primeiro-ministro Cavaco Silva para os assuntos económicos, pretende ser um assessor vitalício da Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé, nome com que o Vaticano, por vergonha, crismou o ex-Santo Ofício.

JCN aprecia as liberdades individuais como Maomé o toucinho ou o Papa Ratzinger o Concílio Vaticano II. Inconsolável por não ter optado pelo sacerdócio, faz as homilias no Diário de Notícias, às segundas feiras. Por enquanto em vernáculo, mas com fortes probabilidades de passar ao latim em homenagem ao concílio de Trento.

O bem-aventurado põe na defesa dos sãos costumes e no combate ao que julga ser a devassidão, o zelo de um talibã, o fervor de um cruzado e a convicção de Torquemada.

JCN sabe que o PS ganhou as eleições legislativas com a promessa da legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo. Sabe que faz parte do seu programa, como, aliás, o afirma, mas a memória do Antigo Testamento não lhe permite consentir tal abominação, apesar de lhe minguar a coragem para matar os homossexuais como manda o livro sagrado.

Assim, agarra-se ao referendo com a ansiedade de um náufrago. Chama arrogante ao primeiro-ministro porque – diz JCN –, “mostra não entender a democracia” ao recusar o referendo e pretender cumprir o que reiteradamente prometeu durante a campanha.

Numa reflexão pia, diz JCN que “nunca a política desceu tão baixo” como no processo político que levou à descriminalização do aborto, a que o devoto chama a promoção do aborto livre e barato. Não é um rasgo de inteligência nem de honestidade intelectual, mas é a manifestação de proselitismo que há-de garantir-lhe uma assoalhada no paraíso.

Nesta homilia, o bem-aventurado teve ainda espaço para manifestar o azedume contra a "lei da procriação medicamente assistida" ((Lei n.º 32/2006, de 26 de Julho) e contra a lei do divórcio (Lei n.º 61/2008 de 31 de Outubro) promulgada pelo actual PR com uma mensagem, em 20 de Outubro, que pareceu ter sido escrita por este piedoso beato.

A prédica termina com alguns pios insultos e uma profecia, em jeito de maldição: «As gerações futuras censurarão asperamente a nossa pelas terríveis infâmias legais cometidas contra a vida e a família».

Comentários

Pai de Família disse…
Aplauso!!!

O Professor César das Neves é uma reserva moral nesta idade das trevas.

É com Homens como este que se constrói um País limpo, honrado, digno e respeitador dos mais altos valores civilizacionais.

Depois das "trapalhadas" em que o Prof. Cavaco Silva se tem visto envolvido, ora aqui está um possível candidato à Presidência da República que deveremos considerar, assim o ilustríssimo Mestre se encontre disponível para tamanha e hercúlea tarefa!

Acabariam a bandalheira, a devassidão, a libertinagem e o gritante desrespeito pela Vida.

Uma reserva moral, meus amigos. Uma reserva moral, digo-vos eu...
Pai de Família disse…
Um artigo (Jornal da Madeira) antológico, realista e inquietante que aqui vos deixo para vossa aprendizagem:




«LUÍS BOTELHO RIBEIRO
Meia manta...

Eles pedem-nos dramaticamente para não alimentarmos a “confusão” entre a questão que está na “agenda” (programada por eles, bem entendido) – do casamento homossexual – e a “mera” possibilidade futura da adopção de crianças por parte desses novos “casais”. Mesmo tendo sido eles a criar a dita “confusão” no passado recente, assumindo reiteradamente a sua estratégia “primeiro o casamento, depois a adopção”, agora temos supostamente todos a “obrigação” de fazer de conta que não lemos nem percebemos... que os mesmos que há poucos anos consideravam o casamento uma “instituição burguesa e retrógrada”, agora lutam por lhe chegar simplesmente porque nele vêem um “meio” para atingir os seus verdadeiros fins, ou seja, poder, a coberto da lei e sem necessidade de “rebuçados”, trazer para casa... os filhos de outros. E para isto andaram os nossos “egrégios avós” a ensinar-nos, geração após geração, a não aceitar rebuçados de estranhos...
Ora as questões que nós decididamente não misturamos são as da homossexualidade per se, e a do casamento homossexual. Que alguém não seja perseguido ou individualmente discriminado em função da sua (des)orientação sexual, parece-nos justo e humano. Mas quando um coro afinado de pedófilos bem colocados pretende obter o acesso legal às crianças para adopção (quem sabe se, um dia, aos nossos próprios filhos), mais do que uma inofensiva “mariquice”, trata-se de um verdadeiro «crime organizado» que ninguém bem formado se pode abster de denunciar e combater. Se não por nós próprios, em nome dos mais débeis da sociedade, pelos nossos filhos mesmo, a quem não podemos hoje abandonar a uma tal ofensiva tão bem orquestrada quanto maliciosa – na plena acepção da palavra.
Poderá a sociedade portuguesa sobreviver à ofensiva em marcha contra as famílias, ao casamento gay, pedofilia, aborto livre, eutanásia e manipulação de embriões humanos? Respondemos com certo anúncio: «Poder, pode. Mas já não será a mesma coisa!» Será ainda verdadeiramente “sociedade” aquela em que os mais fracos se acham sós diante de todos os predadores e perigos de exploração a que naturalmente os sujeita a «lei do mais forte», a lei do “logo se vê” a «lei da selva»?...
Perguntarão os mais optimistas – ou inconscientes – mas que mal virá por isto ao mundo, pelo menos para mim, para nós os que hoje temos o poder de decidir isto? Entre outros... ocorre-nos esta possibilidade (quase certeza) de que um dia, não muito longínquo, substituindo-nos no estatuto de “mais fortes”, de “decisores”, de “cidadãos (in)conscientes”, terão as crianças de hoje a oportunidade de, como os nossos governantes estão a um passo de fazer, também elas por sua vez nos abandonarem... com meia manta no meio dum monte!»
Pai de Família:

A liberdade que a Igreja nunca permitiu é aquela pela qual os não crentes estão dispostos a sacrificar-se.

Lamentável, no artigo que transcreveu, é a confusão, cristamente deliberada, de tratar a homossexualidade e a pedofilia como sinónimos. Isso é natural num talibã mas imperdoável num cidadão.

Para memória futura: Os padres católicos condenados nos EUA por pedofilia não o foram por serem homosssexuais. Alguns até nem eram.
ana disse…
Felizmente estas teorias são assim mais ou menos como o Ébola, batem forte, mas de tão arrasadoras, não se espalham. Graças a Deus...
Vergonhosa é a eterna tentativa de misturar pedofilia com homossexualidade. Que desonestos são estes católicos, Deus os benza!
Anónimo disse…
Estimo muito o Pai de Família.
Alegra-me nesta devassidão de mundo.
Isto, desde que não referende a reconstituição do purgatório, ou algo parecido.


E, boa posta esta. ;)
Anónimo disse…
Estimo muito o Pai de Família.
Alegra-me nesta devassidão de mundo.
Isto, desde que não referende a reconstituição do purgatório, ou algo parecido.


boa posta esta. ;)
Bruno
O Etilista disse…
Luís Botelho Ribeiro, líder do mais recente partido português, o Portugal pró-vida, que ao menos não engana ninguém...

"Na busca activa do bem comum, norteiam-nos os princípios da Doutrina Social da Igreja“.

http://portugalprovida.blogspot.com/

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