À suivre...



Ainda ecoam os rebates oratórios sobre o debate do programa do XVIII Governo Constitucional, ainda continua a incógnita a dimensão da crise económico-social a fustigar os portugueses, ainda o desemprego continua a “trepar” desmesuradamente, ainda não sabemos qual o caminho que o Orçamento de Estado vai encarreirar o seu traço para 2010, já nos “afogamos” em crises motivadas por anunciadas crises estruturantes, eleitoralmente, anunciadas e que provocarão um volte face a uma sociedade, ávida de mudança, mas sensível às mais tacanhas artimanhas conservadoras...

Refiro-me à inequívoca opção do Governo de trazer para a agenda política questões como: as uniões de facto, os casamentos homossexuais, o testamento vital, a eutanásia, entre outras...

A Igreja adoptou uma posição farisaica, como gosta.
Primeiro, divorciou-se destas iniciativas políticas, afirmando que os seus fieis conhecem a sua doutrina sobre estas questões e que portanto a sua posição está definida, dando a parecer que esta reafirmação será a sua postura.
Segundo, algumas eminências religiosas, sugeriram timidamente que estes assuntos deveriam ser sujeitos a actos referendários, já que são “fracturantes”, isto é, dividem os portugueses, esquecendo que, desta vez, os mesmos integraram alguns dos programas eleitorais.

Na realidade, a Igreja não se alheará destas questões. Vai, evitar entrar em conflito directo com a sociedade civil (a experiência é uma grande mestra...) lançando no terreno as suas organizações de base (movimentos “pró” e “contra”, associações “independentes”, confrarias, irmandades, etc.).
Por outro lado, a Igreja vai ensaiar manobras de diversão, no que será acompanhada pelos partidos políticos conservadores, já que esta questão, diz unicamente respeito à sociedade laica.
De qualquer modo, a Igreja que, no dia a dia, subordina a sua actividade a uma organização de características teocráticas em que o modo de governo é – para além da repressão, excomunhões e anátemas – os dogmas, vai esgrimir, nesta oportunidade, o espectro do referendo. Assim lhe convém.

Estas considerações em nada ferem, nem pretendem inibir, uma ampla discussão que estas ditas questões “fracturantes” que, na realidade, são problemas de Estado, de cidadania e culturais, devem ser submetidas.
Mas uma coisa é discutir civilizadamente outra será cultivar o obscurantismo por detrás do manto da intolerância, essencialmente, ou encapotadamente, religiosa.

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