A lavandaria da direita


No próprio dia em que o país se libertou do anterior inquilino de Belém, enviado para o gabinete do Convento de Alcântara com o Grande Colar da Ordem da Liberdade, como se a liberdade fosse um valor que o cativasse, começou a lavagem da sua imagem.

Quem escreve a História não são as vítimas, são os cúmplices e os avençados. O que ora se cala não existirá, apenas o que se diz. Já se refere o homem tímido, emocionado na despedida, e não o homem que nunca explicou a permuta da vivenda Gaivota Azul, a forma de pagamento das ações da SLN, dele e da filha, a intriga tentada com as escutas de S. Bento, os discursos rancorosos contra as votações da AR [estatuto dos Açores], o ódio aos adversários políticos ou as circunstâncias da misteriosa ficha preenchida para a PIDE, com prevaricação ortográfica e insinuações sobre a mulher do sogro.

Até a promulgação, sem objeções, da extinção dos feriados do 5 de Outubro e do 1.º de Dezembro, imperdoável ofensa à História e ao povo que somos, tende a ser esquecida.

Fala-se do político que teve quatro maioria absolutas, o que diz mais das circunstâncias do que do homem, e nem uma só vez se refere a subvenção mensal no valor de 80% do salário do PR, ou seja, 5.799 €€, que agora já pode acumular com as outras pensões, ao contrário do vencimento, acumulação proibida por lei do PS, a quem nunca perdoou.

Perante a amnésia coletiva e a máquina de propaganda da direita, não tardará que o ex-presidente da Comissão de Honra para a Canonização de Nun’Álvares Pereira seja ele próprio um bem-aventurado, com odor a santidade, à espera de canonização.

Nisto de milagres, quanto mais estúpidos e inverosímeis, mais sedutores e piedosos.

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