PSD: Uma hipócrita chicana que é um elogio à ‘geringonça’…

O PSD quando é obrigado a largar o Governo a primeira coisa que faz é a (orto)eutanásia sobre os seus anteriores líderes. Cavaco nada tinha a ver com Balsemão, Durão Barroso não ‘(re)conhecia’ Cavaco (que protegia Fernando Nogueira), Santana Lopes um eterno candidato à presidência do PSD fugia de todos porque muitos ansiavam por Ferreira Leite e, finalmente, Passos Coelho surge como um outsider perante as frustrantes apostas em Marques Mendes e Filipe Menezes. O único dirigente que ainda não eliminaram é Sá Carneiro por duas razões: porque precisam de um ídolo e porque está morto. Cavaco é também uma exceção mas como sabemos desde a última campanha presidencial suspeita-se que poderá ter nascido duas vezes...

Desta vez não existiu uma derrota fulgurante e o líder do passado ainda tenta sobreviver. O PSD apesar de ter pedido a maioria para governar foi o partido mais votado. Aparentemente serve-lhe de pouco mas é possível – na Oposição que em certas circunstâncias aceita ser – pode fazer tropelias.
A primeira grande tropelia foi distanciar-se do País e negar qualquer tipo de colaboração como o Governo legitimamente constituído. Disse-o repetidas vezes que em qualquer circunstância não estava disponível para, segundo se pode inferir, intervir na governação do País. Fez uma birra. Está lá mas não conta. Não subscreve o OE-2016 o que é um seu direito, melhor, é uma tomada de posição de acordo com a opção ideológica da actual equipa dirigente. Não existe aqui nada de pragmático. Mas daí para a frente começa a birra. Nada tem a propor de emendas, de alternativas, de reparos.

O caricato é esta posição partir de quem andou quatro anos e meio a vociferar que as oposições (de então) não tinham alternativas. Se tivéssemos a pretensão de caracterizar, em política, o radicalismo este seria um exemplo paradigmático. O que o PSD acaba por (re)afirmar ao País foi: já que não é para prosseguir com a austeridade e o empobrecimento não estamos cá.
Mas ainda dentro da questão do OE existe um pormenor que pela sua ligeireza e contradição destrói toda a imagem de credibilidade partidária que, artificialmente, tentou criar.

A Assembleia da República – nos tempos de Passos Coelho - votou um auxílio financeiro à Grécia (106,9 M€), dentro de um quadro de solidariedade europeia, em que se endossou aos parceiros europeus a essa (parcial) responsabilidade contributiva link. Na altura, o PCP votou contra esta contribuição por diversas razões entre elas a de não estar disponível para financiar a aplicação de um programa de desumana austeridade para ser aplicado aos gregos (como se continua a verificar).

Um outro problema é a questão turca e como a UE está a lidar com ela. Acima de tudo sustenta uma posição oportunista e hipócrita. Trata-se de deitar dinheiro para cima do problema. Existe o problema dos refugiados que é o epifenómeno da guerra generalizada que grassa pelo Médio-Oriente. A UE dispõe-se a pagar apra que essas deslocados permaneçam acantonados na Turquia e para que a guerra continue. O BE não aceita esta solução e estes donativos (24,3 M€) integram o OE 2016.

E o que faz o PSD? Sem mais nem menos aquilo que o deputado Duarte Pacheco exprimiu: “Votamos contra. É a nossa posição de princípio: quem tem de assegurar a viabilidade é a maioria que suporta o governo e não a oposição. Nós agora somos oposição…”. O PSD entretém-se a colocar grãozinhos de areia na engrenagem orçamental como se isso fosse política.

Entretanto criou um (julgo que um pequeno) problema para a maioria que suporta o governo PS. Aos partidos da maioria parlamentar restam-lhe poucas hipóteses e uma delas será a maioria distinguir o principal do acessório e aprovar as medidas ditando para a acta da reunião uma violenta declaração de voto onde seja denunciada a camaleonice do PSD e as suas vergonhosas manobras obstrutivas.
E ao PSD resta-lhe oferecer ao País o triste espectáculo de mostrar ter 2 caras. E a repetição de situações como esta conduzirá inevitavelmente à constatação que não é confiável (dando continuidade a uma demonstração que dura desde 2011).

Finalmente, a sua atitude perante o OE 2016 colocou o PSD ‘fora do arco constitucional e democrático’ – para retomar a abjecta e falecida discriminação do ‘arco da governação’... Mas pior do que isso deslocou-se para fora do sistema.

Comentários

Jaime Santos disse…
O PSD queria que o PS servisse de muleta a um seu Governo e que aprovasse medidas com que discordasse. Como o PS não esteve para isso e formou Governo, o PSD fez birrinha e agora vota contra tudo, incluindo aquilo com que concorda e com que se comprometeu no Passado. Para responsabilidade política, estamos conversados...

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