Frases históricas - Courrier Internacional. Abril 2016. Página 18




Comentários

Jaime Santos disse…
Que um homem compare uma Mulher a um animal, eu ainda consigo perceber, o inane defende uma sociedade patriarcal, que menoriza as mulheres. De uma forma torcida, é certo, ele defende o seu interesse enquanto macho dominante. Que uma mulher diga que o comportamento natural de outras mulheres é servirem de concubinas de um homem, francamente não entendo. Será que a Sra Erdogan estará disposta a ser uma entre muitas mulheres do atual Presidente e quem sabe, futuro Sultão, a julgar pelos tiques autoritários? A mesma pergunta pode fazer-se a todas as apoiantes do misógino Trump. A sociedade que defendem é aquela em que as mulheres podem ser impunemente violadas pelos maridos?
Jaime Santos:

O Islão é hoje a religião que segue de forma mais implacável o Antigo Testamento que é isso que diz. Felizmente, os cristãos acreditam pouco na palavra de Deus, inventado pelas tribos patriarcais da Idade do Bronze.
Jaime Santos disse…
Caro Carlos, Todas as religiões monoteístas têm no seu núcleo fundamental de valores a defesa de sociedades patriarcais, teocráticas, misóginas e profundamente homofóbicas. Isso já o sabemos, é um facto. No Ocidente, fruto da Reforma Protestante e do Iluminismo, o Poder Eclesiástico foi primeiro submetido ao Poder Secular e, depois de despidas as diferentes denominações religiosas do seu poder temporal, afirmou-se o princípio da separação entre o Estado e a Igreja. De notar que no caso do Catolicismo, o fundamentalismo religioso ainda inspirava o poder temporal em sítios como a Espanha ou a Croácia no sec. XX (menos em Portugal, onde a ICAR tentou apesar de tudo manter alguma independência em relação a Salazar). Este processo de inculturação levou séculos e permite que o Cristianismo conviva de forma pacífica com Estados Seculares, não sem procurar exercer a sua influência na redação das leis (como é do direito dos crentes enquanto cidadãos, penso eu). No Mundo Muçulmano nada disto se passou (ainda), e depois do falhanço rotundo do pan-arabismo e da humilhação continuada desses povos primeiro pelo colonialismo e mais recentemente pela interferência das grandes potências na política interna desses países e ainda pela ocupação israelita (que não é mais do que uma forma de colonialismo, note-se), a resposta de uma juventude sem horizontes e que contempla o falhanço da sua civilização foi o abraçar do fundamentalismo religioso e da guerra de civilizações. Eu quero crer que o Islão é mais do que isto. Os santos sufis cujos túmulos foram destruídos pela Al Qaeda no Mali, abraçaram uma corrente que defende a não violência. A vasta maioria dos muçulmanos que vivem no Ocidente querem viver em Paz e admiram a Liberdade Religiosa das nossas Sociedades... Na Tunísia, onde se iniciou a Primavera Árabe, o processo democrático continua, e inclui Partidos Religiosos de natureza fundamentalista. Enfim, o Islão é algo mais que o wahabismo. Agora, não conseguiremos com certeza lutar com eficácia contra esses criminosos enquanto continuarmos a dar cobertura a regimes que são em tudo iguais ao Daesh, e que o financiam, a bem dos negócios...
Jaime Santos:

Subscrevo o seu comentário apesar de uma irrelevante divergência. Onde diz «(menos em Portugal, onde a ICAR tentou apesar de tudo manter alguma independência em relação a Salazar)», eu escreveria de forma diferente: « (menos em Portugal, onde Salazar tentou apesar de tudo manter alguma independência em relação à ICAR).

Pela importância da sua opinião, permito-me publicá-la no Diário de uns Ateus, certo de que não vê inconveniente. Obrigado.
Jaime Santos disse…
Caro Carlos, Quanto à minha opinião, esteja à vontade para publicá-la, embora com a ressalva de que o Jaime Santos não é Ateu, é um Agnóstico que nutre admiração pelo Deísmo de Thomas Paine, embora reconheça essa corrente como caduca em face à evolução das ideias do sec. XVIII para cá. Quanto à sua observação, julgo que tem em parte razão, Salazar procurou manter alguma independência face à ICAR, mas mesmo Cerejeira, que segundo julgo saber era um intelectual de craveira, procurou preservar a autonomia da Igreja. Recordo-me ainda em particular da viagem de Paulo VI a Fátima, que segundo creio não foi uma visita oficial (mas eu não era ainda nascido), assim como das posições críticas e corajosas de católicos, incluindo clérigos, em Portugal e nas então colónias.
Jaime Santos:

1 - Obrigado pela autorização;

2 - A Concordata permitia ao Governo vetar o nome dos bispos propostos pelo Vaticano, donde concluo que a ICAR era dependente do poder;

3 - Nas colónias, os bispos eram equiparados a Governadores de Distrito (com o mesmo vencimento, como funcionários públicos (Acto Colonial)

4 - Só no fim da década de 60 alguns membros do clero se afastaram do regime e o bispo do Porto, já com Marcelo, foi autorizado a regressar à sua diocese, depois de 10 anos de exílio, sem um único bispo que o defendesse.

Jaime Santos:

Pode consultar o seu comentário em http://www.diariodeunsateus.net/author/cesperanca/
Jaime Santos disse…
Caro Carlos, Já vi e dei-me mesmo ao trabalho de responder a comentários ao meu comentário. E aliás não demorou muito a que aparecesse alguém a ilustrar o meu ponto de que, se vamos limitar a estadia na Europa só aos Muçulmanos que defendem a Liberdade e a Democracia, seremos igualmente obrigados a, com base no princípio da universalidade que deve reger qualquer sistema moral laico e humanista, expulsar muito boa gente que considera que os Direitos Humanos são de aplicação seletiva. Para essa gente eles aplicam-se, imagino eu, só a brancos cristãos. É curioso notar quantos fascistas e racistas se escondem por detrás de um pretenso discurso de defesa do Estado Laico... O teste do algodão é que para essas pessoas, os nobres princípios só se aplicam a alguns...

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