Angela Merkel é uma grande estadista

Só por preconceito ou cobardia poderia calar o respeito e consideração que a chanceler alemã me merece.

A vitória eleitoral dos populistas de extrema direita, nas eleições regionais, não é apenas uma derrota para o governo alemão, é uma derrota para todos os democratas que veem na Sr.ª Merkel a estadista com um projeto político de apoio aos imigrantes.

O fascismo avança de forma perigosa e, enquanto alguma esquerda se cala, na procura de mais alguns votos, Merkel prossegue a sua política migratória e enfrenta o revés que a progressão eleitoral dos extremistas xenófobos infligiu aos democratas-cristãos e social-democratas no poder.

É na adversidade e na defesa de causas que se vê a fibra dos grandes estadistas, seja qual for o quadrante ideológico a que pertençam. Não é recuando que se vence o fascismo, é enfrentando-o.

Comentários

e-pá! disse…
Merkel enfrenta uma complexa situação interna.
Primeiro surgiu a Alternativa para a Alemanha (AfD) partido nacionalista que se manifestou contra qualquer tipo de solidariedade europeia reivindicando a Alemanha para os alemães num ultra nacionalismo repelente isolacionista e
Depois surgiu o Pegida movimento claramente racista, discriminativo e homofóbico com características muito próximas às primeiras teorias nazis onde, para já, o ódio aos muçulmanos substitui o ancestral contra os judeus.
Presentemente, começaram as perturbações dentro do seu próprio partido CDU (nomeadamente vindas da Baviera) que ameaçam desestabilizar o País e pior constituem a maior e mais organizada ameaça contra o projecto europeu. A atitude de Merkel perante estes últimos desenvolvimentos tem sido corajosa e politicamente lúcida mas o seu relativo isolamento advém de ter assumido um duro, errado e impositivo projeto de resgate dos países da UE (nomeadamente os do Sul) que sendo prioritariamente económico financeiro e orçamental (fiscal) passou ao lado da vertente humana (nomeadamente não foi capaz de gerir a pobreza e a fome e evitar 'guerras de encomenda').
Quando não se consegue ter e defender (oportunamente) um projeto politico sólido, global, coerente e progressista existe o risco de posições sectoriais lúcidas e corretas acabarem sendo esmagadas por populismos fáceis ou, o pior, por neo-nazismos violentos e obsoletos.
e-pá! disse…
Adenda:
Um exemplo como a coragem pode tornar-se extemporânea e pode ser inútil...

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