As escolhas de Marcelo

Depois de um brilhante discurso de posse, na forma e na substância, a mostrar a fibra do estadista e a marcar contraste com o antecessor, na cultura, inteligência e grandeza, quis homenageá-lo com uma venera cuja pressa se pode perceber, para o afastar.

Apesar de comum aos anteriores chefes de Estado livremente eleitos, não é protocolar a imposição e, no caso de Cavaco, a Ordem da Liberdade (Grande Colar) foi inadequada a quem não levantou a mais leve suspeita ou o menor indício de afeto pelo valor que dá o nome à condecoração, antes e depois de Abril. Não havia necessidade!! Havia a Ordem Militar de Cristo (Militar Antiga) ou a Ordem do Infante D. Henrique (Nacional).

No mesmo dia juntou inúmeras religiões na mesquita de Lisboa, num apelo ao “espírito ecuménico”, como se num Estado laico a promíscua e hipócrita reunião de religiões que se combatem, pusesse fim ao proselitismo que as devora e nos consome.

Soube-se depois que as suas primeiras visitas de Estado são respetivamente ao Vaticano e a Espanha, uma teocracia e uma monarquia, duas exóticas e anacrónicas formas de Estado, ambos com chefes vitalícios, o primeiro sem direito a sucessão e o segundo com ela assegurada pelo mais tradicional e popular método de reprodução. Salva-o o facto de aviar os dois no mesmo dia, mas, a esta velocidade, dá a volta ao mundo no primeiro ano de mandato.

No primeiro balanço pode dizer-se que o discurso esteve à altura das expectativas, mas as primeiras decisões lançaram a perplexidade sobre as intenções que o movem. Pode acontecer que, à semelhança do que fez a Cavaco, seja uma forma de se desobrigar dos únicos estados que criados por fascistas, respetivamente Mussolini e Francisco Franco.

Não tendo sido seu apoiante, considerá-lo-ei meu presidente, enquanto respeitar a CRP e honrar a República.

Comentários

e-pá! disse…
Existe o risco de transformar-se num cavaleiro andante da Republica. E pouco mais...
De certo modo está a vestir roupagens 'quixotescas'.

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