Bruxelas, no rescaldo da barbárie…

As manifestações promovidas pela extrema-direita na praça de Bolsa de Valores em Bruxelas que degeneraram em violência revelam algo que se mantinha larvar. 
Os manifestantes que se auto-denominavam ‘Belgian Hooligans’ parecem ter sido recrutados nas claques de clubes de futebol que mantêm um nível elevado de organização e de mobilidade link.

Manifestando o ensejo de protestar contra a barbárie dos atentados terroristas que ocorreram em Bruxelas a concentração extremista não se eximiu a exibir para além de violência que caracteriza o hooliganismo, cartazes fascistóides e  a gritar palavras de ordem xenófobas e de incitamento à expulsão dos emigrantes.

Compreende-se a indignação popular. Mas não se pode aceitar o incitamento e a deriva populista. Não é tolerável que os mesmos que idolatram os ídolos da bola importados do estrangeiro para integrar os seus clubes apareçam na rua a exigir a expulsão de 'outros' que, pelas vicissitudes da vida ou pela crueza da guerra, desejem trabalhar e viver na Bélgica.
É tempo de repudiar os extremistas acéfalos disponíveis para ser arrebanhados para vandalismos avulsos.
O mais correcto é ter uma atitude reflectida, determinada, mas de base política. Dar lugar ao civismo.

Existem muitas coisas a lamentar à volta do bárbaro atentado de Bruxelas e muito que discutir e questionar sobre os seus antecedentes.

De igual modo continuarão a existir ensinamentos a tirar em relação aos atentados de Paris, Londres, Madrid, etc.
A começar pela vigilância ao cerceamento das liberdades públicas e individuais que têm sido a ‘resposta’ fácil e repetitiva para problemas difíceis e novos.

Há muitas coisas a lamentar e mais ainda a reprovar. A primeira das quais este esquema político que nos governa e pretende ocultar desígnios nacionais, europeus e internacionais que se podem traduzir numa máxima clássica: “As vossas guerras e os nossos mortos”!.

Mas no meio da balbúrdia e da dor há muitas coisas a preservar como o reconquistar da rua enquanto via de comunicação normal tranquila entre cidadãos, entre localidades, que nos possibilitam encontros e a socialização, i. e., a assistir a eventos sociais, desportivos e culturais.

Enfim, que nos permitam deslocar de Bruxelas a Bruges para apoiar o Anderlecht ou o Cercle Brugge sem levar com uma matraca na cabeça ou um cocktail Molotov nos pés.

Isto é, viver em PAZ!

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