O desejo, a necessidade e o cansativo….

Cavaco Silva anunciou que vai descansar link.

Sem pretender negar a qualquer português o direito ao descanso – mesmo para aqueles que alinharam na histeria dos feriados a mais e se apressaram a cortá-los – o homem tem razão.

Quantitativamente foram demasiados anos de exercício de funções públicas que lhe foram atribuídas pelo povo português através do voto. É necessário, porém, desfazer um mito. Ninguém o foi buscar a casa ou à Faculdade (onde não era muito assíduo) para o obrigar a tal esforço. Quando muito desviaram-no – de automóvel - para um jantar lá para os lados de Cascais, onde aceitou a ‘encomenda’. Sendo assim o natural cansaço daí advindo partilha com a expressão popular de que que quem corre por gosto não se cansa.

Ora o cansaço pode também advir de outras circunstâncias. Por exemplo de um hercúleo, pródigo e levado esforço qualitativo (mesmo que por reduzido tempo).
Os 10 anos de Cavaco não parecem terem sido muito exigentes em termos de esforço mental, imaginação ou inovação. Para além das esfarrapadas justificações sobre o SLN/BPN, sobre a sua mirabolante troca de residência algarvia, sobre as rocambolescas escutas, sobre os solilóquios vacuns açorianos ou sobre o canto das cagarras das Desertas pouco mais resta para memória futura.

A recordação mais visível do seu cansaço foi o inusitado 'desmaio' nas comemorações do 10 de Junho na Guarda.Todavia, nesse episódio o povo balanceou na dúvida se foi mesmo 'cansaço' ou aquilo que misteriosamente qualifica como 'esgotamento'.

Cavaco deve descansar se tiver desejos de o fazer e se a sua parca reforma o permitir (ultimamnte deixou de queixar-se).
 Mas para mim deveria ter partido em silêncio. Só o  anúncio de descansar donde vem é … cansativo!

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