Lula da Silva: A falsa partida de um inquérito…

A detenção para interrogatório e buscas na residência de Lula de Silva são o prólogo de um novo período político do PT. Mas não só.

A extensão deste caso de corrupção (Petrobras) é gigantesca. Tendo por base um sistema de outsourcing (sigla “compre nacional”) a maior empresa brasileira decide contratualizar meios externos por métodos enviesados, em vez de se socorrer de meios internos, tornou possível montar um expedito e imenso sistema de subornos que corrompeu o Brasil. 

Depois foi a lavagem de dinheiro com – como é habitual - a aberturas de lavandarias, motéis, gasolineiras, etc. Ao lado ‘empresas de fachada’ para exportar o dinheiro para offshores através de instituições bancárias de ‘investimento’. O tradicional.

O mais grave é que este processo de corrupção e suborno é transversal a todo o arco parlamentar. Atinge toda a elite política e empresarial do País e o centrar de atenções sobre o PT não passa de uma cortina de fumo.

As investigações deverão recuar às presidências anteriores, Fernando Henriques Cardoso, Collor de Mello, Lula da Silva (hoje investigado) e chegarão provavelmente a Dilma Rousseff. As ramificações deste escândalo passam por Wall Street e estendem-se até à Suíça. Isto é, atingem o âmago do sistema financeiro.

Os próximos tempos esclarecerão se a actual presidente se aguentará no cargo. O passo dado hoje será mais brutal do que as iniciativas do Congresso brasileiro com vista ao ‘impeachment’ de Dilma. Assim parece. 

Novos ventos varrem a América Latina. Difíceis de entender para além do colapso de uma anunciada emergência económica que foi travada pelos títeres da finanças mundiais. Há muito que o fim dos ‘BRICS’ (desde 2012) foi sendo paulatinamente anunciado pelas instituições financeiras internacionais, nomeadamente pela Goldman Sachs. 


Os BRICS não foram capazes de criar, nos tempos de ascensão, o ‘seu’ Banco Mundial. nem qualquer instituição semelhante ao FMI. 
No G-20 gastaram o tempo com falsas estratégias de desenvolvimento e especulações sobre commodities até que a crise dos preços do petróleo os atirou irremediavelmente de volta ao subdesenvolvimento. Beneficiaram de uma pool de crescimento económico curta e temporária, sem suporte político consistente, e tornaram-se incapazes de promover o desenvolvimento. 
Viveram dias de folia. Foi, por assim dizer, uma espécie de Carnaval. Festim que acabou rapidamente, mas a única certeza que paira no ar é: o que está sendo congeminado na forja não vai ser bom para os povos sul-americanos. 
Depois da desastrosa ‘Primavera árabe' só nos falta o ‘Outono sul-americano’ ou o do ‘patriarca’…

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