A PERVERSA INFUÊNCIA DOS PASQUINS

Quase todos conhecerão o processo de Ana Saltão, inspetora da PJ que está acusada de ter assassinado a avó do marido, sendo defendida pela ilustre advogada Mónica Quintela.

 O Tribunal de 1ª instância absolveu-a por não se ter provado que foi ela que cometeu o crime. Porém, tendo o M.P. recorrido, o Tribunal da Relação de Coimbra entendeu que havia prova suficiente e condenou-a a 17 anos de prisão. Recorreu então a defesa, e o Supremo Tribunal de Justiça, entendendo que havia deficiências no acórdão da Relação, devolveu o processo a este Tribunal para novo julgamento. Isto é : o processo está a correr os seus termos normalmente.

 Hoje vem no diário coimbrão "As Beiras" uma pequena nota dizendo: "Supremo reenvia processo Ana Saltão para a Relação de Coimbra". Tal nota mereceu dois comentários de leitores, do seguinte teor:

 1º comentário: "Neste país, mais vale ser assassino que ladrão".

 2º comentário: "Que vergonha".

 Quer dizer: estes dois cidadãos, substituindo-se aos juízes e aos três tribunais coletivos que apreciaram o processo, já "condenaram" a arguida sem apelo nem agravo, considerando-a assassina. Tudo indica que estes cidadãos só conhecem do processo o que tem vindo nos jornais. Ora parte destes, designadamente o Correio da Manha e outros do mesmo jaez sensacionalista, "noticiam" os factos de maneira tendenciosa, envenenando a opinião pública e provocando na populaça ignara que lhes dá crédito a convicção preconceituosa de que os arguidos são culpados.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Nigéria – O Islão é pacífico…

A ânsia do poder e o oportunismo mórbido

Macron e a ‘primeira-dama': uma ‘majestática’ deriva …