quinta-feira, abril 26, 2007

Poema oferecido ao Ponte Europa

Já não há cravos no jardim


O meu canto emudeceu
e já não há cravos no jardim
para iludir o desencanto ...

Encheu-se o coração com a escuridão da noite,
e já sem a esperança das novas madrugadas,
recolho-me ao santuário da memória
revivendo o que vivi
para sentir o que então senti ...

Pudera eu regressar ao dia
em que a liberdade apareceu nua,
despida dos nossos medos,
quando o mês de Abril desceu à rua,
e de, novamente, viver aquele momento mágico
de ver florir as espingardas
de cravos engalanadas ...

Pudera eu regressar ao dia
em que o Mundo despertou
ouvindo a nova canção
que o povo, libertado, cantou ...

Mas, agora, o cravo de Abril já murchou.
Ficou seco e desbotado
no regaço de quem tanto lutou ...

Alexandre de Castro - Ourém, Setembro de 2004

11 Comments:

At quinta abr 26, 07:48:00 da tarde, Anonymous ana conda said...

Gostei do seu poema. Contudo, ao longo da História, o "Cravo de Abril" será eternamente vermelho!

 
At quinta abr 26, 09:20:00 da tarde, Anonymous Alexandre de Castro said...

Estou perfeitamente de acordo com a Ana, a quem agradeço o comentário. Que o cravo de Abril murchou, não tenho dúvida nenhuma, embora considere que não podemos baixar os braços para não permitir que ele murche mais, e antes que alguma mão maligna e traiçpeira o tente arrancar da terra, pela raiz.
O 25 de Abril estará sempre presente nos nossos corações.

 
At quinta abr 26, 09:39:00 da tarde, Anonymous Anónimo said...

A Natureza tem destas coisas,
É na Primavera que, tal como este cravo nascem as flores. Este cravo teve o condam de nascer na Primavera e ao mesmo tempo acabar com ela, precipitando um verão quente de seca democratica.
Este cravo, não era um cravo no sentido floristico do termo. Este cravo era uma verruga.
Deixemos então cravo morrer e viveremos mais descansados
ChicoMartins

 
At quinta abr 26, 09:54:00 da tarde, Anonymous Anónimo said...

O cravo tem de ser, sempre vermelho...os ideais de Abril é que se foram...33 anos depois de Abril, é tempo demais, o resultado, é tão fraco mas tão fraco que o cravo murchou, está quase seco.

Tenho pena do meu país...

 
At quinta abr 26, 09:55:00 da tarde, Anonymous Anónimo said...

Anda por aí, um jeitoso a axincalhar o autor deste blogue, é miserável...

 
At quinta abr 26, 10:38:00 da tarde, Anonymous Anónimo said...

Carlão, a tua residencia vai ser assaltada forte e feio.

 
At quinta abr 26, 11:20:00 da tarde, Blogger esperançoso said...

ha novidades:

http://esperancoso.blogspot.com/

 
At quinta abr 26, 11:52:00 da tarde, Blogger ana said...

Os cravos murcharam? Não faz mal. Outros nascerão em seu lugar. A semente está lançada e os filhos e netos dos que viveram sem cravos saberão cuidá-la. E belos cravos vermelhos e cheirosos nos inundarão de alegria e esperança a cada primavera.

 
At sexta abr 27, 08:33:00 da manhã, Blogger Aurea said...

os cravos podem murchar nas ruas, ser espezinhados e arrancados pela raiz...mas as sementes que deixaram no coração das gentes farão renascê-los em cada madrugada de Abril.
Já lá vai a madrugada dos nossos sonhos, é verdade,mas há muitos testemunhos valiosos para legar às novas gerações e essa é a nossa missão

 
At sábado abr 28, 03:06:00 da manhã, Blogger João Filipe Rodrigues said...

"Os poderosos podem matar um, dois ou até três CRAVOS, mas jamais poderão deter a primavera!"

Penso que se enquadra esta frase de Guevara, com o enquadramento devido.

Não devemos resignar nem aceitar o fatalismo que rege a nossa sociedade. Se o cravo murchou, foi porque o deixaram de regar...

 
At quarta mai 02, 12:39:00 da manhã, Blogger Graza said...

Belíssimo poema Alexandre!
Olhe, o meu também não ficou melhor, acabei por desenhar um e para o ano desenho outro, e assim reinvento-o todos os anos.

 

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