CONVITE - Quatro Estações em Abril

Gertrudes da Silva é um herói de Abril. Veio de Viseu e juntou às tropas que trazia mais quatro companhias da Figueira da Foz. Foi o comandante dessa enorme força libertadora.

No caminho deixou o forte de Peniche sob o comando do MFA e seguiu para Lisboa. Hoje é coronel reformado, tendo sido o melhor aluno do seu curso na Academia Militar.

O primeiro livro que escreveu «Deus, Pátria e a Vida» é comovedor e de uma beleza notável. É o regresso á infância e juventude, na sua Beira natal, escrito com a mestria de um homem culto, a sensibilidade de um homem bom e a qualidade de um excelente escritor.

Comentários

Anónimo disse…
GERTRUDES DA SILVA.

Face ao que diz CE, Gertrudes da Silva, nome que tenho uma vaga ideia no 25 de Abril, deveria ser tornado mais conhecido pelo "PONTE EUROPA", com a publicação de excertos da sua obra, pois é um pouco estranho ter sido o melhor aluno e ter-se reformado em Coronel e de escrever tão bem e estar omisso como cronista.

Vamos a isso?...

zézé
Carlos Esperança disse…
zézé:

Foi o melhor aluno do maior curso de sempre da Academia Militar.

Claro que chegaria a general se os alcatruzes da nora não dessem tantas voltas.

Posso dizer-lhe que o livro que refiro me lembrava Aqulino Ribeiro e, curiosamente, o autor só vagamente conhecia Aquilino.

Foi a origem (Aguiar da Beira) e dez (?) anos de seminário que lhe deram um domínio notável da língua portuguesa.

Vale a pena ler o primeiro livro - o único que eu li até agora.
Anónimo disse…
zézé devia saber que em Portugal os tipos lúcidos, sérios, rectos e úteis nunca fizeram carreira, se ela implicar poder. Pelo simples facto de que incomodam, sobretudo quando o poder é absoluto, ou cego, ou ditatorial.
Às vezes lá vão sobrevivendo, outras vão parar à fogueira (real ou figurada), ou à masmorra, ou ao exílio, não raro ao suicídio.
Exemplos não faltando em séculos de história, cito apenas dois irmãos 'exemplares': o infante D. Pedro, (regente no tempo de Afonso V) o príncipe das sete partidas, que partiu, medieval, para a Europa, e regressou um homem da Renascença; e o entronizado infante D. Henrique, o tal que condenou o irmão Fernando a morrer como refém em Marrocos, porque se recusou a devolver o erro fatal de Ceuta, conforme se tinha comprometido para salvar a pele em Tânger.
Imagine qual deles acabou atraiçoado e morto em Alfarrobeira!
Desculpe-me este arrazoado todo, mas carreira quem a faz são os carreiristas, os espertiços, os camaleões, os que apenas farejam a oportunidade, os serviçais, os invertebrados, os que voltam o cu para meca, e são quase sempre inúteis. Ainda hoje assim é.
Um bom cirurgião pode fazer carreira como técnico. Mas um general é sobretudo um homem de poder. É escolhido em função disso.
Anónimo disse…
Ao Carlos Esperança,

Professor, diga aí o nome do livro, se puder fazer esse favor.

e

Ao ANÓNIMO ANTERIOR,

Parabéns pela coragem que teve em ser tão claro. É evidente que eu sei que as coisas se passam como o senhor relatou, mas há que dar a volta ao texto, com contributos como esse (texto) que o senhor deu.

Estou consigo.

ZÉZÉ
ZÉZÉ:

Só me recordo do 1.º livro - o que li - «Deus, Pátria e a Vida», mas não é difícil saber o nome do segundo através da consulta no computador de uma livraria ou ver no livro, que agora vai ser publicado, o nome dos anteriores.

Para mim «Deus, Pátria e a Vida» recordou-me a infância e a forma de viver, ou de sobreviver, nesse tempo.

Gertrudes da Silva era criança e andava a vender azeite de contrabando nos odres carregados num macho. Era a vida. E é isso que ele descreve com desenvoltura literária e sensibilidade humana, numa aldeia serrana, pobre e atrasada.

Carlos Esperança
(Sem qualquer título eclesiástico, nobiliárquico, castrense ou académico).
Anónimo disse…
O segundo livro, que ainda espera na estante, é 'A Pátria ou A Vida', que suponho tratar sobretudo das andanças da guerra colonial.
O primeiro, 'Deus, Pátria e... A Vida' é, como diz CE, a infância aldeã, num país que muitos já esqueceram, outros não conhecem e outros não querem que seja lembrado. A meninice, a adolescência, a juventude... num país em que só a aparência das coisas mudou, com aspectos trágicos que se mantêm.
É uma coisa a não perder (para quem goste de rever um certo país, claro!)
Há nele qualquer coisa de Aquilino, como sugere CE, sendo a origem Vila Nova de Paiva, mais que Aguiar da Beira. Mas o reino do Malhadinhas é o mesmo.
Porém, mais importante para mim do que isso, é o lado pícaro do Fernão Mendes Pinto, da Peregrinação, que se pressente ali. Aquela mistura de aventureirismo, de ingenuidade, de desenrascanço e de tragédia que cerca o protagonista, (e essa foi sempre a essência portuguesa) com peripécias que ora nos fazem desatar à gargalhada, ora nos mergulham em tristeza e desconforto. É preciso ter tomates para escrever tudo quanto lá está escrito.
Isso feito num discurso que não apresenta grandes novidades formais, mas que é escorreito, límpido, honesto, sem floreados de capela.
Na minha pequena opinião, faltou apenas ao autor um pouco mais de 'escola', para saber fugir a um par de 'defeitos' que, sendo evitados, permitiriam valorizar literariamente o trabalho.
Porque qualquer obra a sério só pode sair das tripas. Mas a 'escola' pode ajudar na forma, na organização e na técnica de contar.
O terceiro é o que vem aí, e todos são da ed. Palimage de Viseu.
Carlos Esperança disse…
Anónimo Dom Abr 15, 05:42:00 PM:

Obrigado pelo testemunho de quem leu com afecto e inteligência o livro de Gertrudes da Silva.

Até na crítica literária o acompanho.

O jovem que, a bem dizer, nunca saiu do seminário, teve a sorte de encontrar um sargento que o mandou levar à Academia para chegar a tempo de prestar provas de admissão.

Tinha ido parar à outra margem o menino pobre que foi pela primeira vez a Lisboa...para ser roubado.
Monteiro Valente disse…
Conheço bem Gertrudes da Silva. Fui seu camarada de curso, vivi com ele duas comissões na guerra colonial, somos companheiros de Abril e verdadeiros amigos. Fiquei muito feliz com a notícia da publicação deste seu terceiro livro. Os dois primeiros - já referenciados nos comentários - são uma delícia de leitura. Retratam bem a sua personalidade de pessoa simples,de uma irreprensível integridade de carácter, e de um profissional de excepção que só não foi general por estar muito acima dos padrões normais. Pessoas como ele não são queridas em instituições como as Forças Armadas, porque fazem muita sombra aos ditos «superiores» hierárquicos e incomodam muita gente. Mas apesar de não haver sido general,no seu curso todos o respeitam e consideram, mesmo, e sobretudo, aqueles que o foram!
Quem estiver interessado em conhecer o que foi o «Movimento dos Capitães» e o «25 de Abril» terá obrigatoriamente de ler este seu terceiro livro - e os anteriores se ainda os não leu.

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