Protesto pró-secularismo na Turquia

Mais de 150 mil pessoas participaram sábado numa manifestação na capital da Turquia, Ancara, para pedir que a política e a religião permaneçam separadas.

Não haja ilusões. Há uma guerra entre o fundamentalismo religioso e o laicismo e não há democracia sem separação da Igreja e do Estado. No Islão como no Cristianismo.

Na Turquia, que muitos querem fora da União Europeia, sem enjeitarem que lhe guarde as costas através das divisões da NATO, joga-se a segurança da Europa. A tradição laica está em perigo com as constantes arremetidas do clero islâmico e a vontade prosélita de transformar a república em mais uma teocracia.

O Vaticano também não ajuda com as constantes intromissões na política dos países que gostaria de voltar a ver como protectorados. Na Espanha, Polónia, França e em Portugal (como se viu no referendo do aborto) a tentação política é mais forte do que a vocação pia.

A Turquia tem uma elite culta, juízes e militares afoitos na defesa da Constituição laica, e um respeito enorme pelo fundador da Turquia moderna, mas a democracia encontra-se numa encruzilhada – ceder à tendência islâmica, que se afigura maioritária, ou tornar-se uma ditadura que defende o pluralismo religioso.

O problema da F.I.S. (Frente Islâmica de Salvação) que ganhou as eleições na Argélia e foi ilegalizada pode repetir-se na Turquia.

O que é a democracia, a vontade da maioria ou o respeito pelas minorias? Falará mais alto a memória de Kemal Ataturk ou os sermões exaltados do clero islâmico?

a) Carlos Esperança - sem qualquer título eclesiástico, nobiliárquico, académico, castrense ou veneras.

Comentários

matarbustos disse…
muito me têm surpreendido (pela positiva) as movimentações em defesa da laicidade do estado na turquia. pudesse eu dizer o mesmo da polónia...
Anónimo disse…
Senhor Engenheiro Carlos Esperança:

Concordo plenamente consigo quando afirma que "não há democracia sem separação da Igreja e do Estado". Plenamente de acordo...

Um laico reformista, ou um reformista laico, como queira
Anónimo disse…
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O Engenheiro disse…
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Nas eleições presidenciais argelinas (de 2000 ou 2001, não sei bem), apareceram 11 candidatos.

Os donos da Democracia resolveram começar por afastar 4.

Na véspera das eleições, 6 dos restantes desistiram, alegando falta de condições.

Ficou apenas Bouteflika... que lá está - decerto feliz da vida por ter sido democraticamente eleito.
Anónimo disse…
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Carlos Esperança disse…
Apenas para facilitar as discussões, o Ponte Europa reserva-se o direito de apagar comentários considerados sem ligação alguma ao artigo em questão
Anónimo disse…
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e-pá! disse…
A Turquia é uma instável interface entre a Europa e o Médio Oriente.
A Europa tem-se revelado demasiado hesitante:
- em apoiar a segurança nessa função de tampão;
- e, em promover o desenvolvimento.
Já houve épocas em que lhe pediram muito (NATO, tempo da "guerra fria") mas agora "dão-lhe" pouco e condicionado.
Hipocrisias polítcas ou má gestão (ausência?) de uma política internacional europeia?
Anónimo disse…
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«Protesto pró-secularismo na Turquia" é o tema do post.

Os comentários apagados são alheios ao assunto.
Anónimo disse…
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Anónimo disse…
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