Cavaco Silva indignado com Pinho

O gesto de Manuel Pinho já foi condenado – e bem – por todos os partidos com assento parlamentar, por todos os simpatizantes partidários, incluindo os do PS, por todos os indiferentes e, sobretudo, por todos os nostálgicos do partido único.

Compreende-se o aproveitamento eleitoral dos partidos da oposição, desejosos de tirar dividendos do acto infeliz e frustrados com a rapidez e clarividência com que Sócrates, numa posição difícil, reagiu e sanou o incidente com notável aprumo democrático.

A demissão de um ministro é a punição mais grave para qualquer falta e só quem não vê a técnica de irritar os adversários, elevada ao máximo requinte, se pode surpreender que, uma vez por outra, os limites da boa educação sejam ultrapassados. Foi o caso.

O coro de virgens ofendidas vai continuar enquanto servir para debilitar o Governo – o que é aceitável – e afundar o amor-próprio do país para permitir a aventureiros do PSD pescarem em águas turvas, o que é perigoso.

Surpresa foi ver agora Cavaco no coro das carpideiras, silencioso quando o deputado do PSD, José Eduardo Martins, reiteradamente insultou o deputado do PS, Afonso Candal, no plenário da AR, mandando-o várias vezes para o c.; calado quando o deputado Jaime Ramos, do PSD-M, ameaçou um adversário, do PS, com «um tiro nos cornos»; mudo quando Alberto João Jardim usa os mais torpes insultos para adversários ou recusa ao próprio PR a entrada na AR-M. Agora desforra-se desses e de outros silêncios. Depois da demissão!!

O ticket Cavaco/Ferreira Leite não é o dream team sonhado em Belém, é um pesadelo que começa a assustar os portugueses.

Comentários

Se tivesse sido um deputado do PSD a fazer o gesto que Pnho fez Cavaco diria que "o PR não tem que se intrometer..." (ele já fala de si próprio na 3ª pessoa do singular, como fazia o Américo Tomás)

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