Maria João Pires


Maria João Pires é uma reputada pianista. Em Portugal e no Mundo.
Desenvolveu um Projecto Educativo de Belgais (Castelo Branco), onde se dedicava ao ensino tendo criado uma Escola Básica, Oficinas Pedagógicas, Projecto Matamundo, Coro Infantil e realizava, regularmente, Concertos em Escolas.

Esta extraordinária experiência pedagógica foi, na prática, ignorada pelos poderes públicos. Não foi devidamente valorizada e, muito menos, apoiada.
Hoje, todo este projecto está sob arresto.
Hoje, recordei Goebbels, Ministro da Propaganda Nazi que, no passado, disse:
"Quando ouço falar de cultura...puxo logo da pistola..."

Em 2006, já desiludida com a insolência da nossa vida cultural e artística e a rejeição de projectos pedagógicos inovadores, abandona Portugal e refugia-se na Baía, lamentando “a tortura sofrida durante anos…” . E, amargurada, mais não disse...

Durante anos abandonou os palcos e dedicava grande parte do seu tempo ao ensino em Belgais, trabalho pelo qual recebeu recentemente o Prémio Unesco para a Defesa dos Direitos Humanos. Era uma artista de mérito, uma humanista, uma activista cívica, uma animadora culrutal de excelência, como tinhamos poucas em Portugal.

Acaba de renunciar à nacionalidade portuguesa.

Esta curta resenha não nos faz pensar sobre o destino do nosso País?

É que para além das más políticas, das recessões económicas, das diatribes do mundo financeiro … há outras maneiras de ficarmos mais pobres.

Acabamos de sofrer uma tremenda “bofetada” cultural. Irremediavelmente!

Já estavamos pobres. Agora caminhamos para a miséria!

Comentários

A grandeza moral de José Saramago vê-se também nesta comparação.

A censura de Cavaco/Santana Lopes/Sousa Lara não o levou a renunciar à nacionalidade.

A enorme Maria João Pires ficou um pouco mais pequena.
e-pá! disse…
CE:

José Saramago quis - deliberadamente- parar a "meio da ponte".
Exilou-se em Lanzarote.

Não o perdemos na íntegra, mas estamos "castigados", quase permanente, pela sua ausência.

De qualquer modo, sem abddicar de lamentar o sucedido, sem "carpir esta novo exodo, é necessário tirar ilações.

A cultura portuguesa está - de diferentes modos - em debandada...

Uma nova diáspora.

Porquê?
É - pá

A cultura só teve, até hoje, um primeiro-ministro que soube avaliar o seu interesse.

Porque era culto.

Porque era um político de excepção.

Porque era Guterres.
Meus Senhores!!!
Antes de falarem dessa pessoa tentem saber a verdade!!!
Maria João Pires nao passa de uma oportunista!!!
Alguem que usou e abusou dos nossos impostos, dos fundos publicos, das camaras munipais do interior!!
Essa senhora tinha um imperio em Belgais, um imperio de gastos sem razao, um imperio de dividas em Castelo Branco!!!
Sabem quantas empresas fecharam na região a conta dela??
Sabem quando recebia de ordenado por mes a sua filha?? 700 CONTOS!! mais que muitos autarcas!!
Tenham vergonha!!!
ela que va para a China, que la se calhar metem-na na linha!!
e-pá! disse…
Caro Diogo Rodrigues:

Conheço alguns pormenores da história de Belgais.
Tudo correu mal mas, apesar disso, não posso deixar de considerar o projecto como culturalmente motivante e inovador no aspecto pedagógico.

Foi, contudo, um projecto cheio de erros administrativos e financeiros, mas que merecia um melhor acompanhamento, outro tipo de apoio ensta área.

Maria João Pires, não era uma administradora, nem uma gestora.
Neste campo, não perdemos nada!

Todavia, perdemos uma excepcional pianista. Isso é que me dói.

Como me dói o êxodo dos nossos melhores investigadores, das nossos melhores refrências tecnológicas,...

Enfim, é uma significativa parte da nossa mais valiosa intelligenzia que parte.

Tudo isto faz-me lembrar a canção de Manuel Freire:

"Ei-los que partem
novos e velhos
buscando a sorte
noutra paragens
noutra aragens
entre os povos
ei-los que partem
velhos e novos
Ei-los que partem
de olhos molhados
coração triste
e a saca às costas
esperança em riste
sonhos dourados
ei-los que partem
de olhos molhados

Virão um dia
ricos ou não
contando histórias
de lá longe
onde o suor
se fez pão
virão um dia
ou não.
no name disse…
num campo não tão distante da cultura, a ciência, lembro o que disse mariano gago ainda nem há uma semana:

"Questionado sobre o que está o governo a fazer para acolher os milhares de doutorados e investigadores que actualmente estão noutros países, o ministro inverteu a pergunta: "O que querem as pessoas qualificadas fazer em Portugal e o que querem fazer para criar e melhorar as suas oportunidades?""

daqui: http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1389009

há uns que ajudam a mudar a situação nacional. há outros que preferem o comodismo de ficar onde já tudo funciona. a diferença é clara. não me parece que o caso de mjp ande tão longe destes.
e-pá! disse…
Caro Ricardo S Carvalho:

O prof. Mariano Gago, por vezes, não se lembra que vivemos num Mundo global.

Ele sabe, mas dá "música", que as pessoas (os portugueses) querem disfrutar em Portugal de circunstâncias e oportunidades idênticas às que têm lá fora.
Infelizmente, quem olha para o que se passa na Economia e no mundo financeiro, não pode repetir a asserção liberalizante de John Kennedy:
"Não perguntem o que a América pode fazer por vós, mas o que vocês pdem fazer pela América" (cito de cor).

Hoje, o Mundo da globalização é diferente de há 40 anos...
E, Mariano Gago, parece não ter entendido o que é competividade...

Está o País - já nem digo o Governo ao qual o professor pertence - em condições de lhas oferecer?

Quanto a MJP julgo que o Governo do Estado da Baía lhe vai oferecer-lhe condições suficientes para arrancar e desenvolver o seu projecto.
Depois, se acaso for um sucesso - como temos pouca memória - chamamo-lha ingrata! É o costume.
Em Portugal, devido à bacoquice e ao imediatismo (isto é, só lhes interessar o que dá resultados a curto prazo) dos políticos, a cultura,a ciência e a própria educação sempre foram os "parentes pobres" de quase todos os governos. E era justamente nisso que podíamos ser bons!
ana disse…
As histórias que contam sobre ela alguns antigos empregados são pouco abonatórias. Enfim, como em muitas outras histórias, quase tudo ficou por contar mas a seu tempo se há-de saber. De qualquer modo nunca me pareceu que aquele projecto fosse viável.
no name disse…
e-pá!, do que fala mariano gago, eu sei bem. e posso assegurar que quem realmente quer fazer, faz.
andrepereira disse…
Estou muito por fora deste "dossier". Mas se uma pessoa renuncia à sua nacionalidade na sequência de desentendimentos políticos/ administrativos/ financeiros... não sobe nada na minha consideração. Antes pelo contrário. Que dirão os refugiados políticos que tivémos que sempre mantiveram orgulho na sua Pátria, mesmo quando esta os condenava à cadeia e à exclusão? Não é o exemplo da pianista que quero para os meus filhos. Se tinha desentendimentos que os resolvesse. Se prefere ser brasileira, compreendo. Mas que não use isso como arma política ou negocial. É um aspecto da vida privada.
Mano 69 disse…
E não é que Miguel Sousa Tavares também está a pensar ir residir para o Brasil.
Só posso dizer que o último a sair, feche a porta!

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