Novas Oportunidades, velhos desacertos…


O progama “Novas Oportunidades”, pretende combater os baixos índices de escolarização dos portugueses através de cursos na requalificação da população, abrangendo jovens e adultos.
Todos sabemos que a qualificação é fundamental para o desenvolvimento económico e social. E todos sabemos, também, que o nosso índice que qualificação é baixo.
Portanto, é natural que tenhamos, desde já, problemas no desenvolvimento económico. E, no futuro, teremos – não é difícil prever - maiores dificuldades em sair da actual crise do que os restantes Países da UE.
A “desqualificação” sendo sinónimo de não diferenciação, é uma companheira inseparável do atraso (melhor diria da pobreza), a causa remota da baixa competitividade e uma figadal inimiga da modernização.

Assim, qualquer programa de qualificação será uma mais valia para o País.
O actual Governo lançou uma iniciativa de qualificação (ou de requalificação, conforme os casos) a que chamou “Novas Oportunidades” ao encontro da solução dos problemas acima referidos.

Hoje, será apresentado, publicamente, o 1º. estudo externo ao programa, orientado por Roberto Carneiro, no Centro de Congressos de Lisboa.
Entretanto, começam a ser – parcialmente – conhecidas algumas das conclusões desse estudo.

A avaliação global é positiva.
Todavia, parecem existir um sem número de obstáculos e de interrogações.
O impacto desta acção nas empresas não é imediato. Surgirá a médio prazo. Mas os portugueses têm de exigir que esse impacto "aconteça" e altere o ritmo, a forma e a metodologia do desenvolvimento nacional.

Conhecemos, previamente, alguns dados que são preocupantes.
Por exemplo:
- 66% das “chefias” não reconhecem o esforço dos trabalhadores, portanto, não valorizam a importância da qualificação;
- Decorrente da situação anterior, a qualificação – na grande maioria das empresas - não trouxe qualquer benefício ao trabalhador no seio da empresa e não foi incorporada na produtividade. Não há políticas de estímulos.
Roberto Carneiro chamou a atenção para uma importante particularidade do momento actual: acredita que os conhecimentos – especialmente nas novas tecnologias – serão indispensáveis numa altura em que “se entra no mundo da economia do conhecimento em que as empresas funcionam em rede”.
Asserção avisada e um alerta oportuno.

O grande problema é que a iniciativa “Novas Oportunidades” deveria estender-se ao grupo empresarial nacional e não restringir-se aos empregados (ou desempregados)desqualificados.
Falta fazer o levantamento dos empresários "desqualificados".

Continuamos um País de patrões. Temos poucos empresários qualificados.
Esta é a outra vertente (oculta) do nosso atraso e uma das grandes dificuldades das "Novas Oportunidades".

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