The Unhappy End ...
O debate do Estado da Nação não surpreendeu...
O Governo fez o balanço das realizações efectuadas ou planeadas nos últimos 4 anos.
Antecipou-se à História fazendo juízos de valor que, no mínimo, são precipitados, já que não existe o suficiente distanciamento histórico para avaliar os resultados e o impacto na sociedade portuguesa.
Era esse o “jogo” que este debate lhe abria, já que se aproximam eleições Legislativas.
Portanto, nada de novo.
A Oposição fez as habituais chiquelinas, introduzindo alguns ferros curtos e com muitas muletas.
Recordou as suas propostas que, também, não serão julgadas pelos portugueses porque, por mais espectaculares que fossem, não foram postas em prática.
Voltou a manifestar um conceito de certo modo peregrino.
Tendo o Governo um mandato expresso pela maioria dos portugueses, cabe-lhe a execução do programa eleitoral que apresentou, em devido tempo, quando se apresentou a escrutínio.
Todavia, embora a(s) Oposição(ões) tenha(m) um papel a desempenhar na Assembleia da República, o seu papel não é governar. Podem e devem apresentar propostas legislativas, melhorar as que são apresentadas pelo Governo, mas a sua principal função, segundo os preceitos constitucionais, é fiscalizar a execução do programa sufragado. Na prática, as Oposições, tentam sobrepor-se à acção governativa e impor as suas próprias agendas políticas.
Uma pequena perversão da praxis democrática, cada vez mais frequente. Portanto, também aqui, nada de novo.
O julgamento da acção governativa ocorrerá a 27 de Setembro. Tudo o mais, são antecipações subjectivas que são habituais, quando se conversa no café e se discute (e bem) política. A AR tem outras finalidades.
Por exemplo, discutir:
A crise económica e social internacional, imprevisível há 4 anos, foi aflorada superficialmente e era exactamente aí que se abria um amplo espaço de intervenção.
Parece – para os senhores deputados - que este assunto não cabe nas preocupações dos cidadãos. Na realidade, ele será o fulcro das actuais preocupações.
Mas é mais “florido” discutir política doméstica. Permite abundantes chicanas políticas, insinuações, boatos e, até, aberrações, como, também, é usual na política nacional.
O debate do Estado da Nação não ficará na História.
Ou melhor, o que ficará na história (na pequena história) será o inusitado e infeliz gesto de Manuel Pinho que, quer queiramos, quer não, é um indigno precalço pessoal, marginal à sessão parlamentar.
Só se – sarcasticamente - considerarmos que o inesperado gesto é, afinal, a vernácula representação do Estado da Nação…
Não creio. Temos direito e o dever de lutar por outros desígnios!
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