Vestimentas religiosas: a moda como "arma"...?
JCN deve estar a pensar nas normas católicas sobre o vestuário que, também, se fundamentam na modéstia e repudiam o exibicionismo...
As religiões abraamicas têm muitos pontos de contacto.
No Ocidente a modéstia teve uma evolução bipolar. Nos meios rurais evoluiu para o pudor e nos meios urbanos para o exibicionismo. Hoje o prêt-à-porter harmonizou e democratizou o vestuário, relegando as normas religiosas para o caixote do lixo.
Mas, convém, como modelos exemplificativos, conhecer algumas dessas "normas":
O controverso papa Pio XII, em pleno século XX, tinha uma interpretação da modéstia no vestuário (essencialmente feminino) que o levou a determinar que as mulheres devem cobrir seus membros superiores e ombros, que suas saias devem cobrir ao menos até o joelho, e o decote não deve revelar nada...
Não foi preciso grandes debates ideológicos. Um mulher do Mundo da moda, Mary Quant, nos anos 60 - pouco depois da morte do puritano Pio XII, deu cabo das suas castas determinações, com a criação da popular "mini-saia".
Um discípulo do papa, o cardeal Siri, arcebispo de Génova, também nos meados do séc. XX, determinou que as calças eram inaceitáveis para vestir mulheres...
Mais uma vez a juventude, no final dos anos 60, com o movimento hippy, consagra a democratização da calça comprida, como "vulgar" peça de design do vestuário feminino.
A calça feminina torna-se um símbolo de distinção entre a modernidade e os "tempos da avozinha" e passa a ser usada pela grande maioria dos jovens de todo o mundo.
E, assim morre a determinação cardinalícia...
De certa maneira, mantenho uma secreta esperança que a evolução do pensamento, a modernidade cultural, as inovações tecnológicas, libertem a humanidade de certas peias, contornandolutas filosófico-religiosas, infindáveis.
Bastará, creio eu, novas tendências de consumo baseadas em ídolos ou cultos carismáticos efémeros ou, se quiserem, na moda.
Nas fotos, o contrastre entre as anónimas mulheres de burka no Afeganistão e a beleza discreta da rainha Rania da Jordânia, mostram, pela inegável diferença, duas faces do islamismo.
Nem todas as mulheres são rainhas, mas a verdade é que as rainhas são simbolos de poder, dinheiro e (algumas) de bom-gosto, que "ditam" modas..., isto é, condicionam o tipo e o modelo (design) do consumo, em todas as suas vertentes - vestuário, inclusive.

7 Comments:
Correcção:
A fotografia não é da rainha Noor mas sim da rainha Rania da Jordânia.
http://en.wikipedia.org/wiki/Queen_Rania_of_Jordan
http://en.wikipedia.org/wiki/Queen_Noor_of_Jordan
E-Pá:
Tomei a liberdade de corrigir o nome da rainha, na foto, e agradeço ao nosso leitor sxzoeyjbrhg a sua chamada de atenção que permitiu corrigir o lapso.
Peço desculpa pelo lapso...
E-Pá:
Duvido que a rainha Rania seja uma face do islamismo. Nisso discordo.
Ela é a face da civilização numa região islamizada e que já teria sido lapidada se não fosse a rainha.
CE:
Embora sob o signo da excepção é, com certeza, uma das faces do islamismo.
Se calhar, lê ela própria o Alcorão, não precisando de um mullah.
Não estudou numa madrasa...
E não posso esconder o facto de que ser rainha ajuda muito...
Quando aparece na TV os homens e as mulheres da Jordânia vêm algo de diferente. E os mullahs também, mas mantêm-se silenciosos.
Quando a religião não está no poder, ou não o controla, torna-se mansa.
Eu concordo com o e-pá. A Rainha Rania é símbolo de um islamismo mais tolerante e aberto.
A burka está presente apenas nas sociedades islâmicas mais conservadoras. Nas intermédias, verifica-se uma preferência pelo hidjab, o lenço. Finalmente, nos países islâmicos moderados (Malásia, Indonésia, Líbano, Jordânia, Turquia, Albânia, Bósnia), torna-se opcional, existindo muitas mulheres muçulmanas que o não usam.
E quanto às freiras do papa? Algumas ainda se vestem como nos dias dos santos apóstolos, por assim dizer...
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