A rábula do «guião» da reforma do Estado

A reforma do Estado – assegura Passos Coelho –, porta-voz do Governo –, «está a ser feita há dois anos e meio», e não se confunde com o «guião» que Paulo Portas promete e adia sucessivamente, há vários meses.

Não, não se confunde com o «guião», seja lá isso o que for. Não é um estandarte que se leve na procissão do Senhor dos Passos, é, quando muito, a bandeira adiada que esconde a desvergonha presente. Nasceu como bandeira do Governo que seria ser e acaba por ser a bandalheira do Governo que é.

Marques Mendes, que ganha a vida na televisão a divulgar a informação privilegiada a que tem acesso, referiu-se ao «guião da reforma do Estado e da sua extensão». Marcelo, com palpites sobre todas as coisas, que existam ou possam vir a existir, apelidou-o de testamento político, um eufemismo para designar as últimas vontades de Paulo Portas.

Sabe-se que o «guião» se pronuncia sobre Educação, Saúde e Segurança Social, o que não augura nada de bom e parece ser a oração fúnebre das áreas que o Governo abateu. Sabe-se mais, que Portas – o PM em exercício –, defende a liberdade de ensino, ameaça que está a ser concretizada com subvenções ao ensino privado, que definirá a qualidade da educação conforme as posses de quem é livre. E diz-se mais, Portas quer promover o mérito e a excelência, esperando que a bitola não seja a que recrutou os governantes.

O tenebroso plano, metódica e pacientemente urdido, para desmantelamento do Estado, continua sem guião público, mas com agenda bem planeada, perante o silêncio do PR. E o drama é que as últimas vontades de Paulo Portas começam a ter horizonte irreversível.

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