A Rússia, a Greenpeace e a droga

Estou longe de me identificar com todas as ações levadas a efeito pela Greenpeace e sei, por experiência de vida, que junto de idealistas aparecem sempre oportunistas e, muitas vezes, provocadores.

Conheço a coragem de que são capazes os militantes e como se excedem na defesa dos objetivos que consideram nobres, mas o idealismo nunca foi, na Greenpeace, sinónimo de inconsciência.

As acusações das autoridades russas, que detiveram o barco com ativistas que se opõem à exploração de combustíveis fósseis no Ártico, e que, para chamarem a atenção contra a agressão ambiental, tentaram escalar uma plataforma da empresa Gazprom, merecem a credibilidade das provas que Blair exibiu a Barroso sobre armas químicas iraquianas.

Imaginar que os ativistas, acompanhados de jornalistas, levavam um carregamento de narcóticos e, sobretudo, «equipamento com potencial para uso militar», levanta sérias reservas e justificadas dúvidas.

Certamente que as autoridades russas podem encontrar, a bordo, desde ogivas nucleares a armas de destruição massiva. Basta que, depois de prenderem os incómodos ativistas, transfiram um arsenal bélico para o barco apresado.

A Rússia, que ganhou prestígio com a moderação manifestada no caso da Síria, arrisca-se a perder a credibilidade que o seu regime autoritário está longe de merecer.

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