O CDS, o grupo parlamentar e o instinto de sobrevivência

Paulo Portas, quando da sua demissão irrevogável deste Governo, ou talvez do anterior, acompanhado pelos ministros da mesma proveniência, ouviu no Caldas o que Soares diz de Cavaco. Então os empregos dos militantes, as sinecuras dos simpatizantes, os lugares públicos, que deixariam o partido com desemprego superior à média nacional?

Que interessava a cerimónia surrealista da posse da ministra das Finanças num Governo extinto, se prescrevia o seguro de vida dos avençados do partido e a ida às urnas reduzia o grupo parlamentar do CDS à lotação do táxi?

Valeu o instinto de conservação dos demo-cristãos, a maleabilidade da espinha dorsal do líder e o pânico do PR por ficar sem o Governo que apoiou. Tudo acabou bem para o CDS, assumindo a liderança efetiva do Governo, onde a inegável preparação de Portas, comparada com a de Passos Coelho, não se verificou. Mas salvaram-se os empregos e, à custa do alargamento da influência e dos cargos, encaixaram-se ainda umas dezenas que precisavam de emprego ou de currículo.

Foi em ambiente de expetativas satisfeitas que tiveram lugar as eleições para a liderança da bancada com o exótico deputado Ribeiro e Castro a disputá-las ao candidato oficial – Nuno Magalhães, de sua graça.

Os resultados falam por si. Nuno Magalhães averbou 24 votos, contra 1 (um) de Ribeiro e Castro, tendo sido prontamente felicitado por Portas. A vida está difícil.

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