O PSD e o ressentimento da colossal derrota eleitoral

No interior da associação, a que preside Passos Coelho, afiam-se as facas e marcam-se os alvos. A pulsão suicidária do bando ultraliberal veio à tona. Sabendo-se morto, ainda estrebucha e procura desesperadamente vingar-se do partido como se vingou do país.

No interior da corporação não se dão conta de que, expulsos os recalcitrantes, ficam sem a massa crítica que manteve vivo um partido que se dizia social-democrático e entrou na deriva reacionária até se atolar no caos, arrastar o País e ostracizar os que protestaram.

Ao pretender afastar os rebeldes, parece um partido em fase terminal, a querer desafiar a parte sã que ainda lhe resta. O próprio PR, militante avençado, pode encontrar as forças e o pretexto que lhe minguam para se libertar dos atuais chantagistas do TC. Desfeito o bando, há liberdade de escolha.

Não é crível que o desespero substitua a coragem e o desnorte a vocação estalinista. Só na Madeira, Alberto João Jardim, com sólida formação salazarista, habituado a praticar o centralismo democrático, tem a coragem de fazer uma purga de que Salazar e Estaline se orgulhariam. É o homem sem ideologia e sem princípios, ao contrário dos amadores continentais que julgaram que a forte ideologia reacionária lhes conferia competência.

O problema com os expulsos é a necessidade do regresso e, as questões de assepsia, que os obrigará a recusar aos coveiros do partido e do país um simples lugar de contínuo na Rua de S. Caetano à Lapa.

A derrota foi tão humilhante que o PS ainda não viu que só ganhou Lisboa e com uma dimensão à altura do candidato. No resto do país foi o PSD que perdeu. Ponta Delgada e Matosinhos podiam ser o início de uma reflexão. O facto de alguém dominar o aparelho partidário não faz dele um estadista.

E o país, que anseia pela mudança, não pode correr o risco da mera alternância.

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