Maioria!

Alguns entendem que é preciso exigir uma maioria absoluta para evitar a crise política.

Eu não concordo.
Esse discurso alarmista nesta altura favorece a coligação PP/MFL, visto terem 40% e o PS apenas 27%...
O PS deve mobilizar-se por ideias e por generosidade humanista, sem estar a criar medos ou papões. Isso só vai levar a que o centrão se refugie na direita que está sempre disponível para coligações a qualquer preço.

Guterres, em 1995, teve maioria relativa e só em 1999 teve os terríveis 115 deputados.
Ora, o período 95-99 foi dos melhores da nossa democracia.
Perante um bom governo, o PSD é forçado a aguentá-lo e não permitirá que ele vá abaixo, sob pena de punição nas urnas.
Donde, agora, o que é preciso é apresentar ideias claras e próprias de um centro-esquerda moderno, liberal, fraterno e que goste de riscos e de mudanças sociais; isso ver-se-à nas listas de deputados e nas ideias chave da campanha.
A seguir, é preciso ter um bom Governo, sem Ministros inábeis e sem experiência, casmurros e que não respeitam o partido e as bases eleitorais do partido.
Sócrates vai saber fazer isso!

Comentários

e-pá! disse…
Caro André Pereira:

O PS arrancou para este ciclo eleitoral desejando uma maioria absoluta. Não pode econdê-lo.

Um conjunto de factos políticos que se desenrolaram - muito para além dos resultados das europeias - tornaram evidente, aos dirigentes socialistas, que a situação tinha, inesperadamente, mudado.
Sócrtes diz ter entendido a mensagem das europeias.
Esse é um grande erro.
Há mais mensagens e outros recados que o eleitorado mandou, e continua a mandar, ao Governo - com o PS como último destinatário.

O Governo não falhou só na Cultura, como Sócrates tentou fazer passar para o exterior.
O facto de ter escolhido - por confusão de nomes? - um gestor a uma académica especialista em Eça, não é significativo. O significativo que esta mudança não foi acompamhada de nada, i.e., manteve para a Cultura um orçamento miserável.

Mas, em meu entender o PS começa a ter dificuldades em definir as situações prioritárias para os cidadãos e, mais grave para o País e, entretanto, embrulhar-se (ou é embrulhado) em pequenos, ou grandes, escândalos, tricas, etc., politicamente irrelevantes e que, p. exº, teriam fácil solução se o PS tivesse aprovado o "plano anti-corrupção" de Cravinho.

O importante é acertar e divulgar um plano anti- crise.
Não é começar por anunciar que vai arrancar com grandes investimentos públicos e acabar na prioridade à "internacionalização" das PME's, aproximando-se das posições do Centro ou Centro-Direita (ler o manifesto dos "28").

Existem PME's viáveis e com um plano de desenvolvimento estratégico autónomo - fora das áreas de alta tecnologia - depois de uma silenciosa fuga maciça dos grandes empreendimentos de Portugal (por perda de capacidade de atracção para o investimento estrangeiro), da deslocalização das empresas multinacionais, do encerramento fácil (falências estratégicas?) de grandes unidades de produção?
As PME's não vivem subsidiariamente e/ou complementarmente desta espinha dorsal de grandes empresas?

Chavões não chegam. Continua a haver dificuldades em fazer-se compreender, em passar mensagem, em explicar o futuro.

O grande receio é que apesar das "Novas Fronteiras", "Novas Oportunidades", etc., o programa do PS da coordenação de António Vitorino, seja mais do mesmo e não responda às interrogações dos portugueses...
A escolha de António Vitorino é o primeiro indício "anti-renovação"... Bem, esperemos para ver.

E, se for assim, i.e., "mais do mesmo", o PS não consegue qualquer tipo de maioria.

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