A degradação das figuras públicas do regime

As conjunturas fazem os homens e cada um é ele próprio e as suas circunstâncias, como dizia Ortega y Gasset. Certamente, foi a guerra que fez personalidades da dimensão de Churchill, De Gaulle ou Roosevelt, tal como a democracia criou Filipe Gonzalez, Mário Soares ou Mitterrand.

A admirável utopia europeia foi, talvez, a responsável pela dimensão de personalidades como Adenauer, Churchill, De Gasperi, Jean Monnet, Robert Schuman, Paul-Henri Spaak, Jacques Delors ou Helmut Kohl.

Só a Revolução podia ter criado heróis portugueses da dimensão de Otelo, Vítor Alves, Vasco Lourenço, Salgueiro Maia ou Melo Antunes, entre tantos outros.

Foi a revolução que fez emergir, nos vários quadrantes ideológicos, figuras da grandeza de Álvaro Cunhal, Mário Soares, Sá Carneiro e Freitas do Amaral, que agora cotejamos com Jerónimo de Sousa, António José Seguro, Passos Coelho e Paulo Portas.

Lá fora chove, dois dias após o solstício de verão, a agravar a melancolia que me atinge quando comparo gigantes e anões, ao mesmo tempo que recordo Sampaio quando ouço, vejo ou penso em Cavaco.

Comentários

e-pá! disse…
Não será a degenerescência ética (post anterior) a grande responsável pela degradação?
Quando olhamos para o nosso trajecto histórico não temos a sensação que tropeçamos sucessivamente em incontornáveis atavismos?
Ao longo de 800 anos quantos 'vultos' políticos encontramos pelo caminho?
Já esquecemos o vulto eleito no programa televisivo 'Grandes Portugueses'...
Perguntas pertinentes, e-pá!

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