A política, a ética e o PSD

Se houvesse um módico de ética, não seria preciso esperar pela sinecura no BES para Paulo Mota Pinto renunciar a todos os lugares políticos.

Quem propõe estrear-se na presidência de um banco, com um presente atribulado e um passado suspeito, depois de ter sido conselheiro do TC, donde provavelmente está reformado, sem nunca ter entrado num banco a não ser como cliente, perde autoridade moral a troco de trocos e faz jus ao partido que o vai nomeando comissário político.

Custa acreditar: «O presidente do Conselho de Fiscalização do Sistema de Informações da República Portuguesa (CFSIRP), cancelou todas as atividades no âmbito destas funções». Se lhe derem o emprego extra, não volta a exercê-las. Enquanto espera não vê relatórios ultraconfidenciais. Os que viu serão esquecidos. O que sabe das informações secretas sobre a indústria bancária não será objeto de qualquer uso. Esquecerá tudo.

Creio que Mota Pinto tem da indústria bancária a experiência de gestão que a mãe tinha quando foi nomeada provedora da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa. Não há nada que uma professora não aprenda depois de ser viúva de um PM, nem segredos bancários que o órfão não desvende.

Não falta quem assegure que não há qualquer incompatibilidade ética no trajeto sinuoso. Teresa Leal Coelho já o afirmou juntando o seu peso ao do candidato. São dois sólidos talentos. Dias Loureiro, Oliveira e Costa, Jardim Gonçalves, João Rendeiro e outros especialistas da banca, incluindo Ricardo Salgado, não deixarão de ser testemunhas abonatórias. Até Duarte Lima, mais experiente em negócios bancários, estará à altura de o recomendar para o lugar.

Não há pecado que uma confissão bem feita não lave, nem nódoa que resista à benzina de uma comunicação social domesticada.

Ponte Europa / Sorumbático

Comentários

e-pá! disse…
O mais grave é que estas 'manobras' são apresentadas publicamente como meros 'incidentes de percurso', mediática e politicamente desvalorizados e 'branqueados', tentando esconder que foram comportamentos abusivos e dolosos como estes (de obscuridade ética, incompetência profissional, gestão danosa, investimentos de alto risco, de burla, etc.) que infestaram por todo o lado as 'praças financeiras' lançando o Mundo e por contaminação a Europa numa profunda crise financeira com um tremendo rebate económico e social que atingiu 'mortalmente' os países mais vulneráveis (como o nosso), obrigados a suportar (a pagar!) todos estes desmandos do sistema financeiro.
Quando olhamos indignadamente para o 'caso BES/R. Salgado/Mota Pinto' não podemos permitir que aparentes fenómenos de atropelos da ética política (e partidária) nos ofusquem a causa (profunda) das coisas.
Não é possível continuarmos a tolerar perversões como se fossem infantis inocências.
Manuel Galvão disse…
Os governos democráticos deixaram a besta crescer!
Aos poucos ela torna-se "to big to control".

E a questão do "deixarem" tem muito que se lhe diga....

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