Cavaco e o vinho

Ontem, Cavaco Silva foi visto na televisão. Não foram as saudades que nos aquietaram, mas a certeza de que pode dissolver a Assembleia da República, se for obrigado.

A falar de vinho, de que não deve ter provado uma só gota, e com as gotas tomadas para eventuais problemas vagais, foi com desenvoltura que falou da pinga e das exportações, na inauguração de uma adega em Alijó.

O PR explicou que os empresários e trabalhadores têm sido os “verdadeiros motores da recuperação da economia portuguesa”, mas foi omisso quanto às balbúrdias do Governo em relação ao Tribunal Constitucional, às irregularidades do Orçamento de Estado e ao funcionamento das instituições democráticas.

Cavaco prefere a vinicultura à política, o Douro ao País e os agricultores aos juízes. O caso Espírito Santo, onde certamente nunca teve ações do GES, mereceu-lhe o mesmo silêncio e alheamento que mantém em relação à SLN/BPN.

Quem veio de Boliqueime dá-se melhor em Alijó do que em Lisboa e gostaria de ter um país à sua medida, mas somos nós, portugueses, que temos um PR à medida de Alijó.

O PR não tem o País que desejava e o País anseia por outro PR, outra maioria e outro Governo. Mas o erro foi do País.

Comentários

e-pá! disse…
"...mas somos nós, portugueses, que temos um PR à medida de Alijó"...
Alijó, estou certo, merecia outro presidente. Fez (e faz) parte do 'reino maravilhoso' que Torga invocava quando falava de Trás-os-Montes.
Hoje, à custa de contradições e à sombra de agruras da evolução republicana, um 'reino transitoriamente encavacado', sordidamente envileceu e perdeu sentido (político e poético).
Alijó não é culpada por mais esta tragédia...
e-pá:

«A recuperação da economia portuguesa?» só pode ser vista de uma adega e por quem bebe.

Quanto a Alijó apenas me serviu de metáfora para comparar a superfície da localidade com a do País.

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