A Espanha, Portugal e a República

O líder do PSOE conhece as pulsões republicanas dos membros e simpatizantes do seu partido e, no entanto, apoia a anacrónica monarquia. É uma atitude responsável perante um pacto de regime que permitiu a transição pacífica de um governo terrorista para uma democracia.

Os pactos de regime devem ser respeitados e a sua duração esgota-se com a geração que os assinou. Rubalcaba fez o que devia e a sua geração ainda não se esgotou. O problema fica – e bem –, adiado.

A maior dificuldade está nas mãos de Felipe, com o primeiro problema para resolver já, na tomada de posse, quanto ao convite da irmã e do cunhado a contas com a Justiça. Ou sacrifica a honra da família ou a da coroa, ainda que esta a não possua mas a simule. Vai ser a primeira prova de fogo.

Em Portugal, o reiterado e patético apelo de Cavaco Silva para um pacto governamental é um mero pretexto para debitar no faceboock «eu bem avisei» ou para manifestar numa homilia à nação: «o PR bem avisou». Em vez de se ter tornado o membro adventício do Governo, a clamar um impossível e indesejável pacto de Governo, devia aprender com os espanhóis e promover um pacto de regime e o consenso europeu multipartidário.

Infelizmente perdeu a capacidade e a credibilidade para ser um árbitro, depois de tantas jogadas a favor do Governo e das reiteradas manifestações hostis aos outros partidos.

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