O Bullying, o Governo e o Tribunal Constitucional

Quem não ultrapassou a infância das queixinhas, nem a adolescência dos porquês, em crise de identidade e de instrução, só pode recorrer ao bullying. É a força que disfarça a fraqueza intelectual, a grunhido que abafa a razão, o uivo de quem não sabe para onde vai, sabendo por onde não podia ir.

Quando alguns municípios fizeram orçamentos na certeza da inconstitucionalidade do OE-2014, o Governo só arriscou insistir na marginalidade e na provocação porque lhe falta um módico de sentido de Estado, despreza o PR e ignora a Constituição.

Não se pode pedir a uma criatura criada na madraça da JSD, alimentada na capoeira de Ângelo Correia e lançado para a alta política por essas referências éticas que são Marco António e Miguel Relvas, que seja um estadista. A predileção de Cavaco Silva, turvo de ódio por Sócrates, não lhe corrigiu a falta de preparação, a hesitação entre o canto lírico e a política, a ambição pelo espetáculo de que La Féria o despediu em vez do espetáculo triste para que o inefável Marco António o empurrou.

Passos Coelho é um epifenómeno da política, mordomo de capatazes que têm a agenda ultraliberal que lhe encomendaram. Os juízes do TC chumbaram o que todos sabíamos que, sem perda da honra e da dignidade, não podiam deixar passar. Até o PR sabia. Até os assessores angariados entre os amigos e os filhos dos futuros patrões.

Quem lhe disse que, não podendo ser preso, pode insultar os juízes que o condenaram e tornar-se brigão? Que pode brincar às aclarações perante o tribunal que já deu o veredito final?

Enquanto o bullying com o TC permanece, funcionários europeus de segunda categoria, incapazes de desrespeitar os tribunais dos seus países, fazem coro com as vuvuzelas do Governo e, além de destruírem a economia do país, destroem a honra dos portugueses.

Perante a inqualificável degenerescência ética só não se percebe o silêncio ensurdecedor de Cavaco Silva, entretido entre a receção à seleção nacional e a atribuição de veneras a instituições.

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