A política e o maniqueísmo

Acredito nas boas intenções de milhares de portugueses que se distribuem pelo espetro partidário representado na AR e no Parlamento Europeu. O patriotismo, a solidariedade, a equidade e a justiça não são apanágio de um único  partido ou, sequer, monopólio da esquerda, embora esta tenha mais tradições na defesa da justiça social e a direita acentue a liberdade individual, quando não entra em deriva totalitária.

O partido único que suportei nos primeiros 31 anos de vida e a herança republicana que recebi, vacinaram-me contra extremismos e moldaram-me para aceitar as diferenças e admitir que os adversários podem ter razão, sem abdicar das convicções e da sua defesa.

A política é uma ciência e uma arte mas é, também, um catalisador de afetos que nos deve prevenir contra juízos apressados, sebastianismos salvíficos e anátemas.

O facto de o PSD se ter deixado capturar pelo pior que gerou, de ter entregado o País ao mais impreparado dos seus líderes e de ter deixado andar à solta o bando maquiavélico que confundiu o poder com o serviço público, o bem-estar dos portugueses com a sua agenda destruidora do Estado e que trocou o patriotismo pelo oportunismo, não traduz o universo dos seus militantes e simpatizantes.

No fundo, até o CDS, apesar de várias purgas, pode ter ainda militantes com um módico de espírito democrático, embora menos provável, quer pela escassez de exemplares quer pela natureza da espécie.

Não é, pois, o PSD e o CDS que combato, é o rebotalho partidário que agarrou o pote, a central de intoxicação especializada em ataques de carácter a adversários, quem trocou um percurso político pelo assalto ao Governo, EPs, assessorias e outras sinecuras.

São necessários litros de benzina para desencardir as nódoas que caíram no pano desta coligação que arruinou os partidos que confiscou, o Governo que formou e o país que sacrificou a interesses particulares e de grupos económicos que o dominam.

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